O número de alunos matriculados em graduações à distância ultrapassou, pela primeira vez, o de cursos presenciais no Brasil. Segundo o Censo de Educação Superior de 2024, divulgado pelo MEC, foram 5,1 milhões de estudantes no EAD contra 5 milhões no modelo presencial. No mesmo ano, o país também superou a marca inédita de 10 milhões de matrículas no ensino superior.
Avanço acelerado do EAD
Enquanto em 2014 havia 1,3 milhão de alunos na modalidade online e 6,4 milhões em cursos presenciais, dez anos depois o cenário se inverteu. O ingresso em cursos virtuais chegou a 3,3 milhões em 2024, o dobro dos presenciais (1,6 milhão). Para o presidente do Inep, Manuel Palacios, o EAD atende um público que não consegue frequentar aulas físicas por questões de trabalho ou distância.
Mudança no perfil do estudante
Segundo o Inep, os cursos noturnos presenciais foram os mais afetados. A participação de alunos nessa modalidade caiu de 63% (4 milhões) em 2014 para 54,2% (2,7 milhões) em 2024. “Os estudantes estão preferindo estudar no ensino à distância”, afirmou Carlos Moreno, diretor de Estatísticas Educacionais do instituto.
Explosão de cursos online
O número de graduações EAD quase dobrou em quatro anos: de 6.116 em 2020 para 11.297 em 2024. Nesse período, a maioria das vagas foi voltada a cursos tecnológicos, que responderam por 47% da oferta. Só em 2024, as universidades disponibilizaram 18,5 milhões de vagas à distância, contra 5 milhões presenciais.
Novas regras para o ensino à distância
Com o crescimento acelerado, o MEC publicou em 2025 novas normas para a modalidade, que começam a valer a partir de 2026. Entre as mudanças estão o fim dos cursos 100% online, a exigência de pelo menos 20% da carga horária presencial ou em aulas ao vivo e a exclusão de algumas formações, como Medicina, Direito e Psicologia, do modelo EAD. Cursos de saúde e licenciaturas terão no máximo 50% das atividades à distância.
Ensino semipresencial ganha espaço
O decreto também criou a modalidade semipresencial: 50% das aulas a distância, 30% online ao vivo e 20% presenciais. Além disso, mesmo nos cursos presenciais, a carga horária permitida de aulas online caiu de 40% para 30%. Outro ponto definido foi a obrigatoriedade de ao menos uma prova presencial por disciplina, com peso maior na nota final.
Rede privada concentra crescimento
O salto nas matrículas ocorreu principalmente nas instituições particulares, que passaram de 5,8 milhões em 2014 para 8,1 milhões em 2024. Apesar disso, o número de professores contratados caiu no mesmo período: de 220 mil para 187 mil.
Desafios para os próximos anos
As mudanças no EAD devem começar a impactar os números a partir de 2026. Para o Inep, a implantação progressiva das novas regras permitirá polos de ensino com melhor estrutura. “Inaugura-se uma modelagem diferenciada, que tende a ser uma inovação importante nos próximos anos”, afirmou Palacios.






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