Eduardo Paes defende Lula após reação negativa do mercado

O prefeito afirmou que é necessário investir dinheiro público para fazer o país crescer e atrair investidores privados.

Um dia após a reação negativa do mercado às falas do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que não mencionou corte de gastos ao falar de ajuste fiscal, o prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes (PSD), saiu em defesa do aliado. Paes afirmou que é necessário investir dinheiro público para fazer o país crescer e atrair investidores privados.

As declarações foram dadas no evento FII Priority Summit, um encontro internacional de líderes e executivos que acontece esta semana no Rio de Janeiro. Nesta quinta-feira (13), Paes afirmou que não entendeu a reação do mercado após a fala de Lula. Depois do discurso do presidente, o dólar fechou em R$ 5,40. O prefeito afirmou que conversou com algumas pessoas do setor financeiro e percebeu que a reação deles mudou ao longo do dia.

“Quando o presidente Lula discursou aqui, três ou quatro banqueiros me falaram ‘que discurso incrível’. Aí, quando chegou o fim da tarde, eles estavam todos: ‘meu deus, o mercado está agitado porque Lula disse algo’”, disse Paes. “Eu até achei que ele tivesse dito algo depois, porque o discurso que ele fez foi uma mensagem clara sobre responsabilidade fiscal, mas com a necessidade de o país crescer”.

Paes também criticou o mercado e afirmou que é preciso haver uma “mudança de mentalidade”. Ele usou como exemplo, em seu argumento, as tentativas de construir um trem-bala entre Rio de Janeiro e São Paulo. “Sempre que falamos de investimentos no Brasil, o chamado mercado vem e diz que não podemos fazer nenhum investimento. É ridículo para um país do tamanho do Brasil. Sempre que falamos em fazer um trem entre as duas cidades, é como se falassem ‘não, isso é um pecado, não se pode ter dinheiro público investido nisso’”, afirmou.

O prefeito disse que é preciso ter investimentos privados, mas sem a ação dos governos os investidores não terão interesse em investir no país. Paes, cujo mandato atual é marcado pela realização de diversas parcerias público-privadas (PPPs) e concessões, afirmou que mesmo com esses mecanismos, ainda assim o governo precisa investir. “Precisamos conseguir o máximo de investimento privado possível, mas há vezes que vamos precisar de dinheiro público para fazer investimentos”, disse o prefeito, que frisou: “As duas coisas devem andar juntas: responsabilidade fiscal e investimento público”.

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