O Ministério Público do Rio (MPRJ) denunciou Tatiana Corrêa Telles Pugsley, proprietária da agência Eureka Viagens e Turismo, pelo crime de estelionato. Segundo a denúncia oferecida pela 2ª Promotoria de Justiça de Investigação Penal Territorial de Niterói, Tatiana é acusada de vender pacotes turísticos que nunca foram efetivamente entregues aos clientes. Os prejuízos somam dezenas de milhares de reais, de acordo com o MPRJ, e mais de 50 pessoas de diferentes estados relatam terem sido vítimas do golpe.
Um dos casos destacados na denúncia envolve duas vítimas que transferiram R$ 21 mil à denunciada para a compra de um pacote internacional com passagens aéreas e hospedagem incluídas. Após o pagamento, receberam documentos que supostamente confirmavam as reservas. No entanto, no dia da viagem, já no aeroporto, descobriram que os bilhetes e as reservas eram inexistentes.
A promotora Renata Neme Cavalcanti, responsável pela denúncia, destacou que Tatiana responde a diversos inquéritos semelhantes em andamento e, por isso, não se enquadra nos critérios para receber um acordo de não persecução penal. Além disso, a denunciada não apresentou confissão formal nem ressarciu as vítimas.
As investigações indicam que o suposto golpe atingiu clientes em municípios como Niterói, São Gonçalo, Itaboraí e até em Senador Canedo (GO). Em muitos casos, famílias descobriram o problema ao tentarem embarcar ou já no destino, como em Orlando, nos Estados Unidos. Alguns turistas foram barrados em atrações por apresentarem ingressos que já haviam sido utilizados meses antes.
Diante da gravidade das denúncias, o Ministério Público pediu ainda a atualização da Folha de Antecedentes Criminais de Tatiana, deixando em aberto a possibilidade de novas acusações à medida que as investigações avançam. Caso condenada, ela poderá pegar até cinco anos de prisão.
Paralelamente, o Procon de Cabo Frio interditou a Eureka Viagens e Turismo, proibindo a agência de operar, inclusive pelas redes sociais. A decisão foi tomada após processo administrativo que apurou dezenas de queixas formais de consumidores, iniciadas em maio. A Secretaria Municipal de Turismo também solicitou a suspensão do registro da empresa no Cadastur, sistema federal de registro de prestadores de serviços turísticos.
A fiscalização encontrou ainda indícios de irregularidades no funcionamento da empresa. Agentes do Procon visitaram diversos endereços vinculados à Eureka, sem conseguir localizar uma sede física. As atividades da agência, ao que tudo indica, eram conduzidas predominantemente por meio de redes sociais, com forte presença no Instagram.
Em nota, a defesa de Tatiana negou má-fé e atribuiu os problemas a dificuldades operacionais e cancelamentos em massa, além de afirmar que a empresária passou a receber ameaças após a divulgação dos casos.






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