O Ministério da Saúde do Hamas informou neste domingo que dois jornalistas morreram em um bombardeio israelense, na Faixa de Gaza. Em três meses de guerra entre Israel e Hamas, iniciada no dia 7 de outubro, pelo menos 77 jornalistas e trabalhadores da imprensa morreram, segundo o Comitê para a Proteção dos Jornalistas (CPJ), com sede em Nova York. Dos 77 repórteres mortos, 70 eram palestinos, quatro israelenses e três libaneses. Dados do Escritório de Imprensa de Gaza, entretanto, constatam que já foram ao menos 105 trabalhadores da imprensa mortos desde o início do conflito.
As vítimas foram identificadas como Mustafa Thuria, um cinegrafista independente que trabalhava para a agência francesa AFP, e Hamza Wael Dahdouh, repórter do canal al-Jazeera. Eles morreram enquanto viajavam em um veículo, informaram o ministério e as equipes de resgate.
O pai de Hamza, Wael al-Dahdouh, editor-chefe do escritório da al-Jazeera na Faixa de Gaza, foi recentemente ferido em um bombardeio. A esposa do editor-chefe e outros dois filhos foram mortos em um ataque israelense nas primeiras semanas da guerra. Thuria, por sua vez, trabalhava para a AFP desde 2019.
O número ultrapassa em quatro vezes o número total de profissionais mortos durante a guerra na Ucrânia, que teve início em fevereiro de 2022, segundo dados o Comitê de Proteção a Jornalistas.
Três meses de guerra
Neste domingo, a guerra no Oriente Médio completa exatos três meses. Após ter sofrido um dos ataques mais sangrentos de sua história — com 1,2 mil vítimas e 250 pessoas levadas para o enclave palestino como reféns —, Israel prometeu aniquilar o grupo militante palestino Hamas. Como resposta, o país, em diferentes fases, tem feito sucessivos bombardeios, além de incursões terrestres para desarticular o grupo — o que, no entanto, têm matado grande número de civis.
Gaza contabiliza mais de 22,8 mil mortos, sendo a maioria mulheres e menores de idade. O território também vivencia uma acentuação da crise humanitária: hospitais foram atingidos e muitos suspenderam suas atividades; a entrada de ajuda humanitária é parca e não consegue atender a todos — agências internacionais afirmam que, na semana passada, comboios com suprimentos não conseguiram entrar na região norte, palco dos mais intensos combates urbanos; além disso, sem água, o risco de doenças infecciosas tem aumentado.
A dureza dos combates e a assimetria no número de mortos aumentou a pressão internacional sobre Israel, inclusive de seu principal aliado, os Estados Unidos. O país, então, anunciou planos para a retirada temporária das tropas do norte.
Em meio a esse cenário, o Oriente Médio experimenta uma outra tensão que eleva o risco de escalada do conflito, após o assassinato do número 2 da ala política do Hamas no sul de Beirute, capital do Líbano, na semana passada. No país, está sediado o grupo militante xiita Hezbollah.
Os ataques na fronteira entre Israel e Líbano — registrados diariamente desde o dia 8 de outubro — se intensificaram. No sábado, a milícia libanesa, apoiada pelo Irã, disparou mais de 40 mísseis contra uma pequena base militar ao norte de Israel, informou o Exército israelense, como uma “resposta inicial” ao assassinato de al-Arouri.
Nesse meio tempo, líderes mundiais correm para tentar frear uma possível escalada. O secretário de Estado Americano, Antony Blinken, realiza um novo giro pela região. Neste domingo, o chefe da diplomacia americana visitou a Jordânia, após ter passado pela Grécia e pela Turquia. Ele também viajará para o Catar, terminando o dia em Abu Dabi, nos Emirados Árabes Unidos.
Já o chefe da diplomacia da União Europeia, Josep Borrell, no sábado, encontrou-se com o responsável político do Hezbollah, Mohammad Raad, em Beirute, informou a imprensa local.
Com informações do GLOBO.
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