Israel reconhece morte de ao menos 70 mil palestinos na guerra em Gaza

Forças Armadas admitem que número divulgado por autoridades palestinas é compatível com dados do conflito iniciado após ataque do Hamas em 2023

Pela primeira vez desde o início da guerra na Faixa de Gaza, as Forças Armadas de Israel reconheceram oficialmente que ao menos 70 mil palestinos morreram ao longo do conflito, encerrado com um cessar-fogo em outubro do ano passado. A admissão representa uma mudança relevante no discurso israelense, que durante toda a guerra contestou a contagem divulgada pelo Ministério da Saúde do território, controlado pelo Hamas.

Segundo os números mais recentes do Ministério da Saúde de Gaza, 71.667 pessoas morreram ao longo de quase dois anos de confrontos, iniciados após o ataque terrorista do Hamas contra Israel em 7 de outubro de 2023, informa a Folha de S.Paulo.

População afetada em larga escala

Se confirmados, os dados indicam que cerca de 3,5% da população da Faixa de Gaza — estimada em aproximadamente 2 milhões de habitantes — perdeu a vida durante a guerra. Organismos internacionais, como a ONU, afirmaram repetidamente ao longo do conflito que, apesar de limitações, os números do Ministério da Saúde palestino eram, em linhas gerais, confiáveis.

Ainda assim, o debate sobre a real dimensão das mortes permanece aberto. Estudos independentes sugerem que o total de vítimas pode ser ainda maior do que o registrado oficialmente.

Estudos apontam possíveis subnotificações

Em julho de 2025, quando a contagem oficial indicava cerca de 45 mil mortos, um estudo conduzido pela Universidade de Londres estimou que o número real poderia ser até 65% superior, alcançando cerca de 75 mil óbitos. De acordo com a pesquisa, 56% das vítimas seriam mulheres, crianças ou idosos.

O mesmo levantamento apontou ainda cerca de 8 mil mortes consideradas “não violentas” acima do esperado, associadas à falta de acesso a atendimento médico, medicamentos e alimentos, consequência direta do colapso da infraestrutura em Gaza durante a guerra.

Divergências sobre metodologia e classificação

Outras análises, no entanto, contestam a confiabilidade dos dados palestinos. Um estudo publicado em abril do ano passado por pesquisadores australianos afirmou que havia falhas graves na metodologia do Ministério da Saúde de Gaza, argumentando que os números poderiam estar inflados. Segundo esses pesquisadores, parte dos menores de idade incluídos na estatística de crianças mortas seriam, na verdade, integrantes do Hamas.

O governo do primeiro-ministro Binyamin Netanyahu adotou essa linha de crítica ao longo de todo o conflito. A diplomacia israelense classificou reiteradamente os dados palestinos como “errôneos” e criticou veículos de imprensa internacionais que utilizaram essas estatísticas como base para reportagens.

Reconhecimento com ressalvas

Mesmo ao reconhecer a magnitude das mortes, as Forças Armadas de Israel mantiveram ressalvas. Segundo os militares, os números do Ministério da Saúde de Gaza não distinguem civis de combatentes, o que comprometeria a interpretação dos dados. Israel também nega que ao menos 400 palestinos tenham morrido de fome, como afirmam autoridades do território controlado pelo Hamas.

Militares israelenses afirmam ainda que muitas das mortes não podem ser atribuídas diretamente a bombardeios contra alvos terroristas. De acordo com autoridades ouvidas pela imprensa israelense, a estimativa interna aponta uma proporção de duas a três mortes de civis para cada combatente morto durante o conflito.

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