Israel ataca Faixa de Gaza e mata ao menos 11 palestinos às vésperas da reunião do Conselho de Paz

Hamas acusa Tel Aviv de “massacre” contra deslocados; militares israelenses falam em resposta a violações da trégua

Ataques aéreos realizados por Israel na Faixa de Gaza neste domingo resultaram na morte de pelo menos 11 palestinos, segundo autoridades de saúde do território. O governo israelense afirmou que as ações foram uma resposta a supostas violações do cessar-fogo por parte do Hamas.

De acordo com socorristas locais, um bombardeio atingiu um acampamento de famílias deslocadas, causando a morte de pelo menos quatro pessoas. Outro ataque, segundo autoridades de saúde, matou cinco pessoas em Khan Yunis, no sul da Faixa de Gaza. No norte do território, uma pessoa teria sido morta a tiros.

As Forças de Defesa de Israel informaram ainda que os bombardeios tiveram como alvo um comandante da Jihad Islâmica, grupo aliado do Hamas, no bairro de Tel Al-Hawa, na Cidade de Gaza.

Os números do conflito

Recentemente, o governo israelense reconheceu que o número de 70 mil palestinos mortos desde 7 de outubro de 2023, informado pelo Ministério da Saúde de Gaza e chancelado pela ONU corresponde à realidade. O montante tem sido classificado por organizações de direitos humanos e por líderes de diversos países como genocídio.

O Ministério também afirmou que ao menos 600 dessas mortes ocorreram após a trégua firmada em outubro. Israel, por sua vez, declarou que quatro de seus soldados foram mortos no mesmo período.

Acusações de violação do cessar-fogo

Hazem Qassem, porta-voz do Hamas em Gaza, classificou os ataques como um novo “massacre” contra palestinos deslocados e acusou Israel de cometer grave violação do cessar-fogo. Ele destacou que a ofensiva ocorre dias antes da primeira reunião do Conselho de Paz criado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

Do lado israelense, um militar afirmou que os ataques de domingo foram conduzidos com precisão e em conformidade com o direito internacional. Segundo ele, o Hamas teria violado repetidamente a trégua estabelecida em outubro. O oficial declarou que combatentes palestinos emergiram de um túnel no lado israelense da chamada Linha Amarela, definida no acordo para demarcar áreas sob controle de Israel e do Hamas.

A troca de acusações sobre descumprimento do acordo tem sido constante desde a assinatura da trégua. O cessar-fogo é considerado peça central no plano apresentado por Trump para tentar encerrar o conflito, o mais letal e destrutivo da longa disputa entre israelenses e palestinos.

Reunião internacional e plano de reconstrução

O Hamas instou os participantes da primeira reunião do novo Conselho Internacional de Paz para Gaza, prevista para quinta-feira (19), a pressionarem Israel para cumprir integralmente o acordo.

Segundo autoridades dos EUA ouvidas pela agência Reuters na semana passada, Trump deverá utilizar o encontro em Washington para anunciar um plano bilionário de reconstrução de Gaza, além de detalhar propostas para a criação de uma força de estabilização autorizada pela ONU no território palestino.

Enquanto as negociações diplomáticas avançam, os combates e acusações mútuas indicam que o cessar-fogo permanece frágil, mantendo a população civil em meio à incerteza e à escalada de violência.

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