Doca, Pedro Bala, Gardenal, Grandão e BMW: quem são os chefes do CV que seguem foragidos um ano após megaoperação

Ao menos 33 alvos de mandados de prisão expedidos antes da Operação Contenção continuam à solta; principais lideranças são apontadas como responsáveis pelo tráfico, pela segurança de chefes da facção e pela expansão territorial do grupo

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Um ano após a Megaoperação Contenção, que deixou 122 mortos nos complexos da Penha e do Alemão, na Zona Norte do Rio, ao menos 33 alvos de mandados de prisão expedidos contra integrantes do Comando Vermelho (CV) continuam foragidos. Entre eles estão algumas das principais lideranças da facção no estado, como Edgar Alves de Andrade, o Doca, apontado como chefe do tráfico na Penha, e outros nomes ligados à estrutura de comando e à segurança do grupo.

Além de Doca, seguem procurados Pedro Paulo Guedes, o Pedro Bala; Carlos da Costa Neves, conhecido como Gardenal; Washington César Braga da Silva, o Grandão ou Síndico da Penha; e Juan Breno Malta Rodrigues, o BMW ou Rex. Os dados sobre os foragidos constam de relatórios elaborados pelo governo estadual com informações da Polícia Civil e encaminhados ao Supremo Tribunal Federal (STF) para prestar contas sobre os resultados da operação.

Antes da ação, realizada em 28 de outubro de 2025, o Ministério Público denunciou 69 pessoas. A Justiça recebeu a denúncia e expediu mandados de prisão contra 51 investigados, além de ordens de busca e apreensão em endereços relacionados a outros denunciados. No dia da megaoperação, 99 pessoas foram presas: 17 por mandados judiciais e outras 82 em flagrante.

Doca, o principal nome da facção em liberdade

Edgar Alves de Andrade, traficante conhecido como Doca / Redes Sociais

Edgar Alves de Andrade, conhecido como Doca ou Urso, tem 56 anos e é natural de Caiçara, na Paraíba. Ele é apontado pelas investigações da Polícia Civil e do Ministério Público como uma das principais lideranças do Comando Vermelho em liberdade e chefe do tráfico de drogas no Complexo da Penha.

Segundo os investigadores, Doca dá ordens para a expansão territorial da facção, participa de decisões estratégicas e atua na aquisição de armamento pesado. Ele está na região da Penha desde 2016 e acumula 48 mandados de prisão, mais de um quarto deles expedidos após a Megaoperação Contenção.

O Disque Denúncia oferece recompensa de R$ 100 mil por informações que levem à captura do criminoso.

Durante as investigações, policiais da Delegacia de Repressão a Entorpecentes (DRE) identificaram uma casa conhecida como “Toca do Urso”, apontada como um dos locais usados por Doca, e mapearam o esquema de segurança montado no entorno do imóvel.

Mensagens atribuídas a Washington César Braga da Silva, o Grandão, indicavam orientações aos integrantes responsáveis pela proteção do local. Em grupos de mensagens, os homens deveriam enviar fotos de portões, becos e pontos de observação para comprovar que estavam posicionados e armados.

Pedro Bala, apontado como braço direito de Doca

Cartaz de Pedro Bala no Disque Denúncia | Reprodução

Pedro Paulo Guedes, o Pedro Bala, tem 44 anos e é apontado pelo Ministério Público como uma das principais lideranças do Comando Vermelho na Penha, em uma posição hierárquica abaixo de Doca.

De acordo com as investigações, comunicações internas da facção se referem a ele como chefe. Pedro Bala e Doca seriam responsáveis por decisões relacionadas ao funcionamento do tráfico na região. A polícia também atribui a Pedro Bala participação em decisões sobre movimentações financeiras da organização criminosa e execuções de integrantes de grupos rivais.

Ele acumula nove mandados de prisão e é o único entre os principais investigados da cúpula da facção a ter advogado constituído no processo relacionado aos alvos.

Gardenal, responsável pela segurança e pela expansão territorial

Gardenal | Foto: Reprodução

Carlos da Costa Neves, o Gardenal, é apontado pelos investigadores como um homem de confiança da cúpula do Comando Vermelho na Penha. Segundo a apuração policial, ele teria coordenado ações para ampliar o domínio territorial da facção em Jacarepaguá, na Zona Sudoeste do Rio, em meio a disputas que envolveram diversos homicídios.

As investigações também atribuem a Gardenal funções ligadas à compra de fuzis, ao controle de munições e ao uso de drones para monitorar a movimentação das forças de segurança em áreas dominadas pelo grupo.

Outra função atribuída a ele era organizar a escala dos criminosos encarregados de proteger Doca e controlar o acesso à residência conhecida como “Toca do Urso”. Em mensagens obtidas pelos investigadores, Gardenal teria determinado que ninguém entrasse armado no imóvel, nem mesmo outros integrantes da facção.

Neste ano, mensagens atribuídas a Gardenal também apareceram em grupos ligados ao Comando Vermelho nos quais policiais do Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope) foram ameaçados. Informações e fotografias dos agentes foram compartilhadas nos grupos após uma operação na Zona Oeste.

Gardenal tem 18 mandados de prisão, dos quais oito foram expedidos após a Megaoperação Contenção.

Grandão, o “síndico” da Penha

“Grandão”, também chamado de ‘síndico da Penha’ | Foto: Reprodução

Washington César Braga da Silva, conhecido como Grandão ou Síndico da Penha, tem 36 anos e é apontado pela Polícia Civil como responsável por coordenar atividades cotidianas dos integrantes do Comando Vermelho no complexo.

De acordo com os investigadores, ele organizava as escalas de plantão armado nos pontos de contenção, coordenava vigilantes posicionados em trincheiras e participava da distribuição de pagamentos aos integrantes da facção. Também é apontado como responsável pela proteção pessoal de Doca.

As investigações indicam que Grandão exercia funções de gerenciamento da rotina dos criminosos, inclusive na divulgação de regras de comportamento para integrantes do grupo em atividades realizadas na comunidade.

Ele tem cinco mandados de prisão, sendo quatro expedidos após a megaoperação de outubro de 2025.

BMW ou Rex, ligado à “Equipe Sombra”

Juan Breno Malta Ramos Rodrigues, o BMW | Foto: Reprodução

Juan Breno Malta Rodrigues, conhecido como BMW ou Rex, é apontado pelas investigações como integrante da chamada “Equipe Sombra”, grupo associado a execuções determinadas pela cúpula do Comando Vermelho. Ele também é identificado pela polícia como chefe do tráfico na Gardênia Azul, em Jacarepaguá.

Segundo os investigadores, BMW treinava integrantes da facção para atirar com fuzis. Os treinamentos ocorreriam na região da Pedreira, no alto do Complexo da Penha.

Ele também é apontado como responsável por determinar quem seria levado ao chamado “tribunal do tráfico”, estrutura informal usada pela facção para julgar e punir pessoas acusadas de desobedecer às regras do grupo. As punições podem envolver tortura e execução.

De acordo com as investigações, Juan passou a usar o apelido Rex após sua suposta participação como mandante da execução de três médicos em um quiosque na Barra da Tijuca, em 2023. As vítimas participavam de um congresso de medicina e teriam sido confundidas com milicianos de Rio das Pedras.

BMW tem 16 mandados de prisão, oito deles expedidos depois da Megaoperação Contenção.

Um ano depois, operação ainda tem resultados questionados

A Megaoperação Contenção mobilizou cerca de 2,5 mil policiais nos complexos da Penha e do Alemão e terminou com 122 mortos, entre eles cinco agentes de segurança. A ação teve repercussão nacional e internacional, especialmente após moradores retirarem dezenas de corpos de uma área de mata e os levarem para uma praça na região da Penha.

Um ano depois, especialistas em segurança pública questionam se a operação conseguiu enfraquecer a atuação territorial do Comando Vermelho. Embora levantamentos tenham registrado queda nos tiroteios e em alguns indicadores de violência, pesquisadores ressaltam que esses números, isoladamente, não comprovam perda de território ou redução da capacidade de atuação da facção.

Nesta quarta-feira (28), a 3ª Defensoria Pública do Núcleo de Defesa dos Direitos Humanos da Defensoria Pública do Rio divulgou um relatório sobre imagens de câmeras utilizadas por policiais durante a operação. De acordo com o documento, a análise identificou indícios de tortura, agressões, ameaças de morte e intimidação de moradores.

A permanência de lideranças apontadas como centrais na estrutura criminosa entre os procurados é um dos aspectos que mantêm o debate sobre os resultados da ação e a capacidade do Estado de atingir o comando e a organização financeira dos grupos armados.

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