A Polícia Federal ouve nesta quinta-feira (17), em Brasília, o atual diretor-geral da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), Luiz Fernando Corrêa, e o ex-diretor-adjunto do órgão, Alessandro Moretti, no âmbito da investigação sobre um suposto esquema de espionagem ilegal conduzido durante a gestão do ex-presidente Jair Bolsonaro. Os dois chegaram à PF nesta tarde. As informações são do g1.
Os dois depoimentos ocorrem simultaneamente, mas em salas separadas, estratégia utilizada frequentemente em fases avançadas de apurações para evitar a combinação ou influência mútua de versões. O inquérito investiga a existência de uma “Abin paralela”, estrutura supostamente usada para monitorar adversários políticos, autoridades estrangeiras e integrantes do Judiciário, inclusive fora dos limites legais.
Embora nem Corrêa nem Moretti tenham integrado a cúpula da agência durante o governo Bolsonaro, a PF apura se ambos, já nomeados na gestão de Luiz Inácio Lula da Silva, atuaram de maneira a interferir nas investigações em curso. A suspeita é de que a nova direção da Abin possa ter dificultado o acesso dos investigadores a dados relevantes.
A Abin afirmou, em nota divulgada no início da semana, que o atual diretor-geral “está à disposição das autoridades competentes para prestar quaisquer esclarecimentos, seja no âmbito administrativo, civil ou criminal, sobre os fatos relatados na imprensa e que remetem a decisões tomadas em gestão anterior da Agência”.
PF também investiga espionagem de autoridades do Paraguai
Luiz Fernando Corrêa foi sabatinado no Senado Federal em 2023 antes de assumir o comando da Abin. Ele tem no currículo passagens pela Polícia Federal e pelo Ministério da Justiça. Já Alessandro Moretti, ex-número 2 da agência, foi exonerado do cargo recentemente.
Além da suspeita de uso político da inteligência oficial durante o governo anterior, a Polícia Federal também investiga o possível monitoramento de autoridades paraguaias — o que, se confirmado, poderia configurar violação de soberania estrangeira.
O caso da “Abin paralela” se soma a uma série de investigações que atingem antigos integrantes do governo Bolsonaro, incluindo suspeitas de uso indevido de estruturas do Estado para fins particulares ou eleitorais. A apuração envolve inclusive o uso de ferramentas tecnológicas de rastreamento sem autorização judicial.





