Direção da Petrobrás cobra R$ 7 pela gasolina e premia acionistas com R$ 63 bi

Com os preços dos combustíveis batendo recordes nos postos – e a gasolina passando de R$ 7 – a Petrobras teve lucro de R$ 31,1 bilhões no terceiro trimestre de 2021 e, em vez de atenuar os reajustes nos preços, decidiu dobrar o valor dos dividendos distribuídos aos seus acionistas, que chegarão a R$ 63,4…

Com os preços dos combustíveis batendo recordes nos postos – e a gasolina passando de R$ 7 – a Petrobras teve lucro de R$ 31,1 bilhões no terceiro trimestre de 2021 e, em vez de atenuar os reajustes nos preços, decidiu dobrar o valor dos dividendos distribuídos aos seus acionistas, que chegarão a R$ 63,4 bilhões no ano.

Com o resultado do trimestre, o lucro acumulado pela companhia em 2021 já soma R$ 75,1 bilhões. Após anunciar a distribuição de R$ 31,6 bilhões ao fim do primeiro semestre, a direção da empresa propôs nesta quinta-feira (28) pagar mais R$ 31,8 bilhões a seus acionistas.

Não é verdade, portanto, que a Petrobras seja obrigada a impor aos brasileiros os preços internacionais do petróleo para não quebrar, como alegam seus dirigentes e a imprensa. A Petrobras pode adotar uma política interna de preços que, sem causar danos à sua estabilidade, ainda assim mantenha um nível de lucro razoável para seus acionistas.

O anúncio dos lucros estupendos que vão forrar os bolsos dos acionistas, sobretudo dos acionistas internacionais, ocorreu pouco depois de novas alegações de Jair Bolsonaro de que não tem poder para mudar a política de preços da Petrobras e, com isto, amenizar os reajustes constantes nos preços dos combustíveis.

Bolsonaro mais uma vez escondeu o fato de que o governo federal é o acionista controlador da Petrobras, com mais da metade das ações.

Ao sugerir mudança na política de preços da Petrobras, Bolsonaro disse que o governo busca uma alteração legislativa para viabilizar a operação. A informação, porém, é falsa. “A Petrobras é obrigada a aumentar o preço, porque ela tem que seguir a legislação. Nós estamos aqui tentando buscar uma maneira de mudar a lei nesse sentido”, disse o presidente.

Não há, porém, uma lei que obrigue a Petrobras a reajustar o combustível. O que existe é a política de preços definida pela própria estatal, que desde 2016, quando Dilma Rousseff foi derrubada por um golpe de estado, acompanha os valores do petróleo no mercado internacional, em dólar. Como o real tem atravessado forte desvalorização frente à moeda americana, isso contribui para o encarecimento dos combustíveis.

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