Diante de incerteza sobre aposentadoria de Barroso, Lula avalia possíveis nomes para o STF

Jorge Messias e Maria Elizabeth Rocha despontam como favoritos do presidente caso vaga seja aberta ainda em 2025

Com a indefinição do ministro Luís Roberto Barroso sobre uma possível aposentadoria antecipada, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) já avalia cenários para uma nova indicação ao Supremo Tribunal Federal (STF) ainda neste mandato.

Em entrevista à CNN, Barroso, que deixa nesta segunda-feira (29) a presidência da Suprema Corte, afirmou que pretende fazer um retiro espiritual em outubro antes de decidir se permanecerá no tribunal ou se pedirá a aposentadoria.

Possibilidade de saída antecipada

Segundo auxiliares presidenciais, Lula já foi informado da hipótese de Barroso deixar o cargo. Para evitar ser surpreendido, o presidente iniciou conversas internas e começou a analisar alternativas, embora ressalte que não pretende se antecipar.

De acordo com integrantes do Palácio do Planalto, Lula tem dito que só tomará qualquer decisão caso Barroso oficialize a saída. O gesto, segundo esses assessores, é também uma forma de demonstrar respeito à trajetória do magistrado.

Os favoritos de Lula

Entre os nomes mais cotados estão o do advogado-geral da União, Jorge Messias, e o da ministra do Superior Tribunal Militar (STM), Maria Elizabeth Rocha.

Messias, de 45 anos, era a segunda opção de Lula para substituir a ministra Rosa Weber, mas o presidente optou pelo ex-ministro da Justiça Flávio Dino. A juventude é considerada uma vantagem, já que ele poderia permanecer na Corte por até três décadas. Além disso, é visto como um aliado de confiança do presidente, com bom trânsito no Senado e chance de conquistar apoio até mesmo entre setores da oposição por ser evangélico.

Maria Elizabeth Rocha, por sua vez, ganhou destaque pela postura firme no STM. Ela apontou indícios de crimes militares cometidos pelo ex-presidente Jair Bolsonaro e abriu discussão sobre a possibilidade de perda de patente do ex-mandatário. Com 65 anos, caso seja indicada, poderia permanecer dez anos no Supremo. O nome da ministra também conta com a simpatia da primeira-dama, Rosângela Silva, que defende maior presença feminina na Corte.

Outros cenários

Outro nome que circula nos bastidores é o do presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG). Apesar da especulação, Lula prefere que o senador concentre esforços em uma candidatura ao governo de Minas Gerais em 2026. Nesse caso, a indicação de Pacheco para o STF poderia ocorrer em uma futura vaga.

Mudança no comando do STF

Enquanto Barroso avalia seus próximos passos, o ministro Edson Fachin assumiu nesta segunda-feira (29) a presidência do STF. Com perfil mais discreto e moderado, Fachin é visto como contraponto ao estilo de Barroso, que ganhou notoriedade por declarações públicas e maior exposição midiática.

O possível afastamento de Barroso e a escolha de um substituto podem se tornar uma das decisões mais relevantes de Lula nesta gestão, com impacto de longo prazo na composição e no rumo da Suprema Corte brasileira.

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