Mais de 30 palestinos, entre eles 12 crianças, morreram por desnutrição nos últimos dois dias na Faixa de Gaza, segundo informações do Ministério da Saúde local, vinculado ao Hamas. A crise que se agrava desde o início da guerra entre Israel e o grupo palestino, em outubro de 2023.
Segundo o Ministério da Saúde, o total de mortes atribuídas à fome e à desnutrição desde o início do conflito já chega a 101 pessoas, das quais 80 são crianças, informa O Globo. O cenário atual é de colapso no sistema de saúde e de acesso limitado à assistência humanitária, agravado por bloqueios e ataques contra comboios de ajuda.
Hospitais colapsados e relatos de exaustão extrema
Profissionais de saúde, jornalistas e trabalhadores humanitários também estão sofrendo com a escassez de alimentos. O médico Mohammed Abu Salmiya, diretor do hospital Shifa, em Gaza, declarou à BBC que pelo menos 21 crianças morreram de fome nas últimas 72 horas. Estimativas apontam que cerca de 900 mil crianças estão em situação de insegurança alimentar, sendo que 70 mil já estariam desnutridas.
De acordo com Khalil al-Deqran, porta-voz do Ministério da Saúde, há ainda 600 mil pessoas desnutridas no território, incluindo 60 mil mulheres grávidas. Os sintomas relatados incluem desidratação severa, anemia e fraqueza extrema.
O chefe da Agência da ONU para Refugiados Palestinos (UNRWA), Philippe Lazzarini, denunciou que membros da equipe da organização estão desmaiando de fome e classificou a situação como “sem precedentes na História recente”.
Ajuda humanitária sob críticas e ataques
Desde maio, após mais de dois meses de bloqueio total imposto por Israel, a distribuição de ajuda na Faixa de Gaza passou a ser feita majoritariamente pela Fundação Humanitária de Gaza (GHF), organização apoiada por Estados Unidos e Israel. A GHF, no entanto, vem sendo alvo de críticas por parte da ONU e de mais de 170 ONGs, que pedem sua extinção e a retomada de um sistema neutro e civil de entrega de insumos.
A própria ONU acusa o Exército israelense de ter matado mais de mil pessoas que tentavam acessar pontos de distribuição de alimentos desde o fim de maio. Só nas imediações das instalações da GHF, 766 pessoas teriam sido mortas.
Lazzarini classificou a atuação da GHF como uma “armadilha mortal sádica”, afirmando que os tiros contra civis famintos têm se tornado rotina. A própria agência AFP alertou que seus jornalistas freelancers em Gaza estão em risco de morrer de fome.
Alerta global e pressão internacional
Em resposta à escalada da crise, 27 países, incluindo Reino Unido, França, Canadá e Japão, emitiram um comunicado conjunto exigindo o fim imediato da guerra em Gaza. O texto afirma que o modelo atual de distribuição de ajuda implementado por Israel “alimenta a instabilidade” e “priva os habitantes de Gaza de sua dignidade humana”.
O Programa Mundial de Alimentos estima que até setembro, 470 mil pessoas em Gaza estarão em níveis extremos de fome. A ONU alerta que, para atender minimamente a população, seriam necessários ao menos 600 caminhões de ajuda por dia — número muito superior à média atual de 146 veículos registrados durante a guerra.






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