O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva lança nesta segunda-feira (4) o Desenrola 2.0, nova versão do programa de renegociação de dívidas que pretende ampliar o alcance das medidas de alívio financeiro para a população. Os detalhes da iniciativa serão apresentados pela equipe econômica em coletiva no Palácio do Planalto.
A proposta surge em um cenário de elevado endividamento das famílias brasileiras e busca facilitar acordos entre credores e consumidores, com descontos expressivos e condições mais acessíveis de pagamento.
Ampliação do programa e tipos de dívida
O Desenrola 2.0 prevê a renegociação de diferentes modalidades de débito, incluindo cartão de crédito, cheque especial, crédito rotativo, crédito pessoal e até contratos vinculados ao Fundo de Financiamento Estudantil (Fies).
Durante pronunciamento em rede nacional na última semana, Lula destacou que os juros poderão chegar a até 1,99% ao mês, com descontos que variam entre 30% e 90% do valor total devido. “Assim, você vai ter uma parcela bem menor e mais tempo para pagar sua dívida”, pontuou Lula.
A iniciativa foi definida como prioridade pelo presidente e solicitada ao ministro da Fazenda, Dario Durigan, logo no início de sua gestão à frente da pasta, no fim de março.
Uso do FGTS e regras do programa
Uma das principais novidades é a possibilidade de utilizar até 20% do saldo do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) para quitar dívidas. A medida será destinada a trabalhadores com renda de até cinco salários mínimos mensais.
Segundo o ministro do Trabalho, Luiz Marinho, o mecanismo funcionará de forma mediada pelas instituições financeiras:
“O trabalhador que é correntista do fundo, com uma renda de até cinco salários mínimos, em caso de estar endividado, ele vai negociar com a sua instituição, que ele deve, apresentar os descontos que a instituição topou fazer, de um mínimo de 40%, e ele poderá acessar até 20% para quitar o restante dessa dívida que ele tem”, explicou Marinho.
Nesse modelo, o trabalhador não terá acesso direto ao saque. A Caixa Econômica Federal fará a transferência do valor diretamente ao banco credor, reduzindo o saldo devedor.
O FGTS possui atualmente cerca de R$ 705 bilhões em recursos. Para o programa, a estimativa inicial de uso é de R$ 4,5 bilhões, com limite máximo de R$ 8 bilhões.
Endividamento em alta no país
O lançamento do programa ocorre em meio a dados que mostram o crescimento do endividamento no Brasil. Segundo a Serasa, 81,7 milhões de brasileiros estavam endividados em fevereiro deste ano.
Dados do Banco Central indicam que o comprometimento da renda das famílias atingiu 49,9% em fevereiro de 2026, patamar próximo do recorde histórico registrado em julho de 2022.
Além das famílias, a inadimplência também avança entre empresas, o que reforça a preocupação do governo com o impacto do crédito caro sobre o consumo e a atividade econômica.
Estratégia ampla e segmentada
A equipe econômica estruturou o programa em diferentes frentes, com foco em públicos distintos. O ministro da Fazenda, Dario Durigan, já havia antecipado que as medidas seriam direcionadas a famílias, trabalhadores informais e pequenas empresas.
“Tem essas três frentes que estamos trabalhando: famílias, trabalhadores informais e pequenas empresas. Quando voltar (ao Brasil será feito o anúncio), em abril ainda”, adiantou Durigan à imprensa ainda em Washington, no dia 17 de abril.
A expectativa é que o pacote inclua não apenas renegociação de dívidas, mas também iniciativas para reduzir o custo do crédito no país.
Bloqueio para apostas on-line
Outra medida anunciada pelo governo é o bloqueio temporário de acesso a plataformas de apostas on-line para quem aderir ao programa. A restrição terá duração de um ano.
Segundo Lula, a iniciativa busca evitar que consumidores renegociem dívidas e voltem a se endividar por meio de jogos:
“O que não pode é renegociar a dívida e continuar perdendo dinheiro apostando em bet”. “Por isso, quem aderir ao novo Desenrola Brasil ficará bloqueado por um ano em todas as plataformas de apostas on-line”, completou.
A avaliação do governo é que o crescimento das apostas digitais tem contribuído para o aumento do endividamento das famílias, reduzindo o impacto positivo de políticas econômicas.






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