Os desastres naturais provocaram perdas econômicas globais estimadas em US$ 131 bilhões (cerca de R$ 733 bilhões) apenas no primeiro semestre de 2025, segundo relatório divulgado pela seguradora alemã Munich Re e reportado pelo jornal O Globo. Apesar de representar uma leve queda em relação ao mesmo período do ano passado — quando as perdas foram de R$ 868 bilhões — o valor permanece acima da média histórica e reforça o impacto crescente das mudanças climáticas em catástrofes naturais ao redor do mundo.
O maior desastre do período foi registrado nos Estados Unidos: os incêndios florestais que devastaram a região de Los Angeles geraram prejuízo estimado em US$ 53 bilhões (R$ 297 bilhões), dos quais US$ 40 bilhões (R$ 224 bilhões) estavam cobertos por seguros. O episódio já é considerado o evento climático mais custoso de 2025 até o momento. Para especialistas, a intensificação das condições meteorológicas adversas tem relação direta com o agravamento das mudanças no clima.
“Precisamos encarar o fato de que as perdas estão aumentando e deixar claro que as mudanças climáticas desempenham um papel cada vez maior”, afirmou Tobias Grimm, cientista climático chefe da Munich Re, ao jornal estadunidense CBS News.
Cobertura alta, mas ainda insuficiente
Do total de US$ 131 bilhões em perdas, US$ 80 bilhões (R$ 448 bilhões) estavam segurados — o segundo maior volume já registrado para um primeiro semestre desde o início da série histórica, em 1980. O único período com perdas seguradas superiores foi o ano de 2011, marcado pelo terremoto e tsunami no Japão.
No entanto, a lacuna entre perdas e cobertura de seguros permanece significativa, principalmente em países com baixa penetração no mercado segurador. Um dos exemplos mais trágicos foi o terremoto de magnitude 7,7 que atingiu Mianmar em março deste ano. O desastre resultou em cerca de 4.500 mortes e perdas econômicas de US$ 12 bilhões (R$ 67 bilhões), praticamente sem cobertura securitária.
A análise da Munich Re mostra ainda que os eventos relacionados ao clima — como tempestades severas, enchentes e incêndios florestais — responderam por 88% das perdas totais e por 98% das perdas seguradas no período. Já os terremotos foram responsáveis por 12% das perdas totais, mas apenas 2% do valor segurado.
Previsão é de perdas ainda maiores no segundo semestre
A perspectiva para o segundo semestre de 2025 é preocupante. A Munich Re alerta que a temporada de furacões no Atlântico, que se estende de agosto a novembro, poderá elevar ainda mais os prejuízos globais. Em sete dos últimos oito anos, as perdas seguradas no segundo semestre ultrapassaram os US$ 100 bilhões (R$ 560 bilhões).
Diante desse cenário, a seguradora defende a adoção urgente de políticas de mitigação e adaptação às mudanças climáticas. Entre as medidas sugeridas estão o reforço das normas de construção civil e a restrição de novos empreendimentos em áreas de risco.
“A melhor maneira de evitar perdas é implementar medidas preventivas eficazes, como construções mais robustas de edifícios e infraestrutura. E o mais importante: para reduzir a exposição futura, novos empreendimentos imobiliários não devem ser permitidos em áreas de alto risco”, declarou Thomas Blunck, membro do Conselho de Administração da Munich Re, em nota oficial.
O relatório da seguradora serve de alerta global para governos, empresas e sociedades sobre a urgência de agir frente à intensificação dos eventos extremos. A previsão é de que, sem mudanças estruturais, os impactos financeiros e humanos das catástrofes naturais continuem a crescer nos próximos anos.
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