Derrota histórica de Lula no STF não chegou ao conhecimento de 6 em cada 10 brasileiros

Levantamento Datafolha aponta desconhecimento sobre rejeição inédita de indicado de Lula ao STF

A rejeição do nome de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal ainda não chegou ao conhecimento da maior parte da população brasileira. É o que aponta uma nova pesquisa Datafolha divulgada nesta segunda-feira (18), mostrando que 59% dos entrevistados afirmaram não ter sabido da derrota do indicado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva no Senado Federal.

O levantamento, publicado pela Folha de São Paulo, revela que apenas 41% disseram ter tomado conhecimento da rejeição. Entre eles, 19% afirmaram estar bem informados sobre o episódio, enquanto 18% disseram estar “mais ou menos informados” e 4% admitiram conhecimento limitado do caso.

A pesquisa foi realizada nos dias 12 e 13 de maio com 2.004 entrevistados em 139 municípios brasileiros. A margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou para menos.

Derrota histórica

A rejeição de Jorge Messias foi considerada uma das maiores derrotas políticas do atual governo no Congresso Nacional. Foi a primeira vez desde 1894 que o Senado rejeitou a indicação de um presidente da República para o STF.

Messias precisava de 41 votos favoráveis para ser aprovado, mas recebeu apenas 34 votos. Ao todo, 42 senadores votaram contra sua indicação para ocupar a vaga aberta na Suprema Corte.

Entre os entrevistados que acompanharam o caso, 53% afirmaram que a rejeição enfraqueceu o governo Lula. Apenas 7% disseram que o episódio fortaleceu o presidente, enquanto 36% avaliaram que a derrota não alterou a força política do governo.

Impacto político

O levantamento também mostrou diferenças no nível de informação entre grupos políticos e eleitorais. Entre os eleitores de Lula, 61% disseram não ter tomado conhecimento da rejeição de Jorge Messias. Já entre eleitores de Flávio Bolsonaro, o índice foi menor: 50%.

Entre os entrevistados que afirmaram votar em branco, nulo ou em nenhum candidato, o desconhecimento chegou a 72%, segundo o Datafolha.

Nos bastidores de Brasília, a derrota de Messias foi interpretada como resultado de uma articulação política liderada pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre, além da pressão de setores ligados ao bolsonarismo, que vêm transformando críticas ao STF em uma das principais bandeiras eleitorais.

Novo embate no Senado

Apesar da derrota, Lula sinalizou a aliados que pretende reenviar o nome de Jorge Messias ao Supremo, numa tentativa de reafirmar a prerrogativa presidencial de indicar ministros para a Corte.

O movimento, no entanto, pode gerar novo embate institucional. Uma regra do Senado aprovada em 2010 impede que o mesmo nome seja reapresentado ainda neste ano para a mesma vaga. Além disso, interlocutores políticos avaliam que Davi Alcolumbre pode dificultar qualquer nova análise relacionada à indicação para o STF em 2026.

Durante a sabatina de Messias, parlamentares da oposição chegaram a defender que a vaga fosse preenchida apenas pelo próximo presidente da República eleito. O discurso gerou reação de aliados do governo, que classificaram a proposta como tentativa de esvaziar os poderes do chefe do Executivo.

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