O eurodeputado polonês Dominik Tarczyński publicou nas redes sociais uma foto de duas brasileiras que votaram no exterior no primeiro turno das eleições presidenciais e pediu informações que pudessem levar à identificação delas. Na imagem, registrada em Varsóvia, as mulheres aparecem fazendo com as mãos o gesto de “L”, associado ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), candidato à reeleição. Uma delas usa um broche com o símbolo do Partido dos Trabalhadores.
“Se alguém tiver informações sobre essas senhoras, por favor, entre em contato por DM. URGENTE”, escreveu Tarczyński em seu perfil no X.
Em outra publicação, no Instagram, o parlamentar afirmou que ajudaria pessoalmente as brasileiras a “arrumar as malas” antes de uma eventual deportação. Na mesma postagem, defendeu a candidatura de Flávio Bolsonaro (PL), que avançou para o segundo turno da eleição presidencial.
“Promover o comunismo na Polônia é constitucionalmente proibido! Livremo-nos dos comunistas no Brasil, assim como fizemos na Polônia. Vote em Flavio!”, escreveu.
Legislação polonesa
Tarczyński relacionou a ameaça de deportação à legislação polonesa sobre a promoção de regimes totalitários. A Constituição do país proíbe partidos e organizações que adotem métodos e práticas associados, entre outros, ao nazismo, fascismo e comunismo. No entanto, a aplicação dessas normas ao uso individual de símbolos políticos não é automática.
Em 2011, o Tribunal Constitucional da Polônia derrubou parte de uma alteração no artigo 256 do Código Penal que previa punição ampla para a posse e a distribuição de objetos com símbolos fascistas e comunistas.
Tarczyński também não apresentou, nas publicações, uma indicação de qual crime as mulheres teriam cometido. Vale lembrar que o o PT é classificado como um partido de centro-esquerda à esquerda e não comunista, como informa o estatuto da legenda.
Apoio a Flávio Bolsonaro
No mesmo período em que publicou a foto das brasileiras, Tarczyński fez publicações celebrando a passagem de Flávio Bolsonaro para o segundo turno da eleição presidencial brasileira.
O parlamentar é integrante do Parlamento Europeu e faz parte do grupo dos Conservadores e Reformistas Europeus. Antes de assumir o mandato europeu, foi membro do Parlamento da Polônia entre 2015 e 2020.
A publicação com a foto das brasileiras provocou repercussão nas redes sociais. Apoiadores do senador pediram que as duas fossem deportadas, enquanto outros internautas lembraram que as jovens apenas manifestaram suas preferências eleitorais.
“Deu ruim”, escreveu o coach Pablo Marçal, aliado dos Bolsonaro. “Eles não estão fazendo nada de errado”, escreveu outro perfil.







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