Após receber denúncias de perseguição política contra comerciantes, empresários e profissionais que teriam apoiado o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o deputado estadual Yuri Moura decidiu levar o caso aos órgãos de fiscalização.
O parlamentar apresentou representações ao Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ) e ao Ministério Público do Trabalho (MPT), pedindo a investigação de listas que circulam nas redes sociais e em grupos de WhatsApp, identificando supostos eleitores do PT e incentivando boicotes a seus estabelecimentos e serviços.
Em Petrópolis, na Região Serrana, uma dessas listas reúne mais de 100 nomes, incluindo proprietários de restaurantes, comerciantes, prestadores de serviços, médicos e psicólogos. Segundo as denúncias recebidas pelo gabinete, os profissionais estariam sendo expostos publicamente por suas supostas preferências eleitorais, com o objetivo de afastar clientes e provocar prejuízos financeiros.
A reação de Moura ocorre após dois episódios recentes que ampliaram a discussão sobre intolerância política no estado. Na segunda-feira (26), a deputada estadual Índia Armelau (PL) sugeriu nas redes sociais que empresários demitissem funcionários que votaram em Lula. As publicações foram apagadas posteriormente por determinação da Justiça.
Já em Teresópolis, o advogado Klaus Fins, identificado com o bolsonarismo, defendeu que comerciantes apoiadores do PT colocassem uma estrela vermelha na entrada de seus estabelecimentos. Ele também propôs um boicote aos negócios identificados com o partido.
Deputado reúne denúncias de três municípios
A iniciativa de Moura começou a partir de relatos encaminhados ao seu gabinete por pessoas preocupadas com a divulgação das listas e com possíveis represálias por suas posições políticas. Além de Petrópolis, o parlamentar recebeu informações sobre situações semelhantes em Três Rios e Cachoeiras de Macacu.
A documentação reunida inclui capturas de tela de conversas em grupos de WhatsApp e publicações que estimulam consumidores a deixar de comprar produtos ou contratar serviços de pessoas supostamente ligadas ao PT.
O deputado também questiona a veracidade das informações divulgadas. Segundo ele, há pessoas incluídas nas relações cuja posição política não corresponde àquela atribuída pelos responsáveis pelas publicações. “Uma covardia absurda, que vai direto no sustento das famílias de pessoas que trabalham e empreendem de maneira honesta e estão sendo perseguidas por suas posições políticas”, afirmou.
Representação pede identificação dos responsáveis
Na representação encaminhada ao MPRJ e ao MPT, o deputado solicita a apuração da origem das listas, a identificação de seus autores e a investigação das circunstâncias em que os nomes foram coletados e divulgados.
O parlamentar também pede que sejam preservadas as provas digitais, ouvidas as pessoas atingidas e examinadas eventuais práticas de discriminação, intimidação, perseguição política e retaliação econômica.
Outro ponto levantado é a possível violação da Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais (LGPD). A legislação classifica a opinião política como dado pessoal sensível quando vinculada a uma pessoa identificada ou identificável, estabelecendo regras específicas para seu tratamento. Por isso, Moura solicita que o Ministério Público avalie se houve utilização irregular dessas informações e se a divulgação provocou danos à honra, prejuízos profissionais ou outras violações de direitos.
Reunião com autoridades
Além de acionar os dois órgãos do Ministério Público, o deputado encaminhou, na terça-feira (27), o Ofício nº 237/2026 à Polícia Civil, à Polícia Militar, ao MPRJ e à Defensoria Pública do Estado do Rio de Janeiro. No documento, ele solicita uma reunião interinstitucional urgente para discutir medidas de proteção às possíveis vítimas e definir encaminhamentos para as denúncias recebidas.
A preocupação do parlamentar envolve relatos de ameaças, intimidações, ofensas, constrangimentos, demissões e outras formas de retaliação relacionadas às preferências políticas dos cidadãos. Entre as medidas propostas estão a criação de canais institucionais para acolher denúncias, a avaliação de possíveis infrações penais e trabalhistas e a articulação de ações preventivas para impedir o agravamento dos conflitos.
“Eu sou um deputado estadual que defende a democracia. Nunca persegui ninguém por sua posição política. Sempre lutei para todo mundo poder falar o que quer, desde que não desrespeite o outro, não persiga os outros. Nossa equipe está aberta para acolher, inclusive juridicamente, quem está sofrendo com isso está intolerância”, declarou.
Gabinete oferece apoio jurídico
Enquanto aguarda os desdobramentos das representações, Moura mantém os canais de comunicação de seu mandato abertos para receber novas denúncias. Comerciantes, empresários, trabalhadores e profissionais que tenham sido incluídos nas listas ou sofrido retaliações podem procurar o gabinete por meio do Instagram, Facebook e WhatsApp.
A equipe orienta que sejam encaminhados registros das publicações, capturas de tela, mensagens e links que possam contribuir para identificar os responsáveis pela elaboração e disseminação das listas. O material será organizado para subsidiar as investigações e os encaminhamentos aos órgãos competentes, com atenção à preservação da identidade das pessoas envolvidas. “Nossa equipe já está acolhendo todo mundo, e a gente vai investigar até o final”, afirmou o parlamentar.







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