Deolane Bezerra tinha planos para enviar dinheiro do PCC para Dubai, aponta investigação

Influenciadora é ré em ação da Justiça de São Paulo que apura esquema de lavagem de dinheiro e suposta transferência internacional de ativos para os Emirados Árabes Unidos.

Um suposto plano de expansão internacional de recursos ligados ao PCC, com transferência de patrimônio para fundos em Dubai, está no centro da investigação que levou a Justiça de São Paulo a tornar ré a influenciadora e advogada Deolane Bezerra. Segundo o Ministério Público, o grupo investigado pretendia reorganizar empresas e movimentar ativos para os Emirados Árabes Unidos, em uma estratégia que, de acordo com a denúncia, facilitaria a ocultação e a circulação internacional de recursos provenientes de atividades criminosas.

A decisão foi proferida pelo juiz Deyvison Heberth dos Reis, da 3ª Vara de Presidente Venceslau, no interior de São Paulo. Além de Deolane, também se tornaram réus o líder do Primeiro Comando da Capital (PCC), Marcos Willians Herbas Camacho, o Marcola, e outros integrantes apontados pelas investigações como participantes do esquema.

De acordo com a denúncia apresentada pelo Ministério Público de São Paulo, a estrutura financeira investigada já estaria sendo preparada para atuar fora do país. A decisão judicial menciona que os Emirados Árabes Unidos foram identificados pelos investigadores como um dos destinos planejados para a transferência de patrimônio, por meio de fundos e empresas que poderiam dificultar o rastreamento da origem dos recursos.

Movimentação milionária sob investigação

Relatórios de inteligência financeira citados no processo apontam que Deolane movimentou cerca de R$ 27 milhões em contas bancárias analisadas durante as investigações.

Segundo os investigadores, foram identificadas operações consideradas incompatíveis com a renda declarada, além de movimentações financeiras que teriam características normalmente observadas em esquemas de lavagem de dinheiro. Entre os pontos analisados estão depósitos fracionados, uso de terceiros para movimentação de valores e divergências em informações fiscais.

Para o Ministério Público, esses elementos reforçam a suspeita de que a influenciadora teria participado da ocultação e circulação de recursos atribuídos à organização criminosa.

Supostos repasses de empresa ligada ao PCC

A denúncia afirma que parte dos recursos teria sido repassada por uma transportadora de cargas sediada em Presidente Venceslau, apontada pelos investigadores como controlada pelo PCC.

Segundo o Ministério Público, os repasses seriam coordenados por Everton de Sousa, conhecido como “Player” ou “Temer”, identificado na investigação como operador financeiro de Alejandro Herbas Camacho Junior, irmão de Marcola.

Os investigadores também mencionam mensagens e áudios atribuídos a Deolane que, segundo a acusação, indicariam o armazenamento de valores em imóveis ligados à influenciadora e a familiares.

Justiça bloqueia carros de luxo

Como parte das medidas determinadas no processo, a Justiça autorizou o sequestro de bens considerados de alto valor.

Entre os veículos relacionados na decisão estão uma Lamborghini Huracán, uma Mercedes-Benz AMG G63 e uma Cadillac Escalade, registradas em nome da influenciadora ou de empresas vinculadas a ela.

O bloqueio tem como objetivo preservar bens que poderão ser analisados ao longo da ação penal

A partir desta fase, acusação e defesa poderão apresentar provas, documentos, perícias e depoimentos. Somente após a conclusão da instrução processual haverá julgamento sobre a responsabilidade dos réus.

A aceitação da denúncia não significa condenação. Ao receber a acusação apresentada pelo Ministério Público, a Justiça apenas reconhece a existência de elementos suficientes para o início do processo criminal.

Deolane está presa preventivamente desde 21 de maio de 2026, na cidade de Tupi Paulista, no interior paulista.

Defesa nega vínculo com organização criminosa

Em nota, os advogados Aury Lopes Júnior, Josimary Rocha de Vilhena, Luiz Ricardo Rodrigues Imparato e Rogério Nunes afirmaram que Deolane não possui qualquer ligação com organizações criminosas.

A defesa sustenta que o patrimônio e os rendimentos da influenciadora têm origem lícita e foram regularmente declarados, acrescentando que utilizará todos os meios legais para demonstrar a inocência da cliente durante o andamento do processo.

Além de Deolane e Marcola, também respondem à ação penal Paloma Sanches Herbas Camacho, Leonardo Alexsander Ribeiro Herbas Camacho, Alejandro Juvenal Herbas Camacho Junior e Everton de Sousa. O caso continua em tramitação na Justiça de São Paulo.

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