Investigações da Polícia Civil revelam que líderes do Comando Vermelho (CV) mantêm o controle rígido sobre cerca de 100 mil moradores no Complexo da Penha e Alemão. Trocas de mensagens e imagens interceptadas mostram execuções, torturas e punições severas para desafetos ou moradores que descumprem regras da facção.
Mandados e megaoperação na zona norte
Após 75 dias de planejamento, policiais fluminenses cumpriram 180 mandados de prisão e busca e apreensão na terça-feira (28). A operação resultou em 121 mortes, incluindo quatro agentes, e causou pânico, bloqueio de avenidas e suspensão de serviços em áreas da cidade.
Hierarquia rígida e líderes do tráfico
A investigação aponta Edgar Alves de Andrade, vulgo Doca ou Urso, e Pedro Paulo Guedes, o Pedro Bala, como chefes do CV no território. Abaixo deles estão Washington Cesar Braga da Silva, o Grandão, e Carlos Costa Neves, o Gardenal, responsáveis pela expansão da facção na zona oeste e pelo controle de milícias rivais.
Tortura e tribunais do tráfico
Prints e vídeos mostram moradores sendo torturados em rituais, incluindo um homem arrastado por carro e outro preso em compartimento com gelo. O MP descreve Gardenal assistindo às agressões, enquanto Doca e Pedro Bala emitem ordens diretas sobre tiros, tráfico de drogas e segurança das bocas de fumo.

Carlos Neves, o Gardenal, assiste chamada em vídeo com morador sendo arrastado por carro em ritual de tortura Foto: Reprodução/Ministério Público do Rio
Expansão territorial e lavagem de dinheiro
O grupo “Sombra”, liderado por Juan Breno Malta Ramos, o BMW, atua na expansão territorial da facção, controle de armas e punindo rivais. Há indícios de lavagem de dinheiro por meio de empresas de fachada e monitoramento armado de escolas e comunidades estratégicas.
Reação do Estado e polêmica legal
O governador Cláudio Castro afirmou que a operação foi um sucesso, mas a Defensoria Pública questiona possíveis ilegalidades. Documentos do MP obtidos pelo Estadão detalham a violência, a hierarquia e a estratégia do CV para manter o domínio sobre as favelas do Rio.






Deixe um comentário