Demolição do Elevado 31 de Março prevê túneis e nova via expressa no Rio

Projeto de R$ 1,7 bilhão inclui mergulhões, rebaixamento da Av. Presidente Vargas e revitalização urbana no Centro

A derrubada do Elevado 31 de Março, no Centro do Rio de Janeiro, pode resultar na construção de dois mergulhões que farão parte de uma nova via expressa para substituir o atual viaduto. A proposta integra o projeto urbanístico “Praça Onze Maravilha”, que está em tramitação na Câmara Municipal e prevê uma ampla requalificação da região.

Atualmente, cerca de 80 mil veículos circulam diariamente pelo elevado, que conecta a Zona Sul ao Centro. A previsão da prefeitura é concluir as obras até 2028, com financiamento estimado em R$ 1,7 bilhão, viabilizado por meio de parcerias com a iniciativa privada e venda de terrenos públicos.

A nova configuração viária inclui uma pista expressa contínua, sem sinais de trânsito, com início nas proximidades do Túnel Santa Bárbara e extensão até a região do Santo Cristo, passando sob importantes vias da cidade.

Mergulhões e rebaixamento da Presidente Vargas

O primeiro mergulhão começaria nas saídas do Túnel Santa Bárbara, atravessando subterraneamente as ruas Frei Caneca e Salvador de Sá. Já o segundo seria implantado na Avenida Presidente Vargas, que também deverá ter suas pistas rebaixadas para permitir a fluidez do tráfego.

Com isso, motoristas poderão seguir diretamente em direção à Praça da Bandeira ou à Candelária, sem interrupções por semáforos. A proposta busca reduzir gargalos e melhorar a mobilidade urbana na região central.

Além das intervenções viárias, o projeto prevê mudanças estruturais no entorno do Sambódromo, com foco na revitalização de áreas como Catumbi, Estácio e Praça da Cruz Vermelha.

Novos equipamentos urbanos e flexibilização imobiliária

Entre as iniciativas planejadas estão a construção de uma nova Cidade do Samba, voltada às escolas do Grupo Especial, e a criação da Biblioteca dos Saberes, projeto assinado pelo arquiteto Francis Kéré.

O plano também inclui flexibilização de regras urbanísticas para estimular a construção de moradias, seguindo modelo semelhante ao adotado no Porto Maravilha. A expectativa é atrair investimentos e ampliar a ocupação residencial na região.

Estudos iniciais foram realizados por consultorias privadas por meio de um Procedimento de Manifestação de Interesse (PMI), que analisou diferentes cenários para a reconfiguração do trânsito e uso do solo.

Estudos indicam melhor solução viária

Quatro alternativas foram avaliadas, sendo a opção com mergulhões considerada a mais eficiente. Segundo especialistas envolvidos, manter o trânsito em nível ou preservar parte da estrutura atual poderia gerar novos congestionamentos.

A proposta escolhida também permitiria liberar áreas públicas para venda, contribuindo para o financiamento das obras. No entanto, essa etapa depende da aprovação do projeto de lei em tramitação.

Apesar do apoio do Executivo, o plano ainda enfrenta questionamentos técnicos e políticos, especialmente sobre custos, impactos urbanos e viabilidade das intervenções.

Debate na Câmara e preocupações urbanísticas

A tramitação do projeto no Legislativo tem avançado lentamente, em razão de dúvidas sobre os estudos financeiros e impactos estruturais. Uma audiência pública recente chegou a ser adiada.

Especialistas em urbanismo apontam falta de informações detalhadas e levantam preocupações sobre o modelo adotado. Há críticas quanto à priorização de soluções viárias em detrimento de alternativas mais sustentáveis.

Outro ponto de debate envolve a possibilidade de construção de prédios de até 92 metros de altura na região, o que poderia impactar a paisagem urbana, especialmente em áreas próximas a Santa Teresa.

A prefeitura afirma que o projeto ainda pode sofrer ajustes durante a tramitação e garante que áreas protegidas continuarão respeitando restrições ambientais e urbanísticas.

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