Democratas superam republicanos na economia pela primeira vez em uma década

Alta do custo de vida e dos combustíveis coincide com perda de apoio do presidente Donald Trump

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Pela primeira vez em quase dez anos, os eleitores americanos passaram a confiar mais no Partido Democrata do que no Partido Republicano para conduzir a economia dos Estados Unidos. É o que mostra uma pesquisa Reuters/Ipsos divulgada nesta segunda-feira (3), que também aponta uma nova queda na aprovação do presidente Donald Trump, em um momento marcado pelo aumento do custo de vida e pela alta dos preços dos combustíveis.

Segundo o levantamento, 37% dos eleitores registrados afirmaram confiar mais nos democratas para administrar a economia, enquanto 36% disseram acreditar que os republicanos fariam um trabalho melhor. Outros 27% responderam que não têm opinião definida ou preferem outra alternativa.

O resultado representa uma mudança significativa em um dos principais ativos eleitorais do Partido Republicano. Ao longo da maior parte da última década, os republicanos lideraram com folga a preferência dos eleitores quando o assunto era gestão econômica, tanto durante o primeiro mandato de Donald Trump quanto no governo de Joe Biden e no atual mandato do presidente republicano.

Alta da gasolina influenciou percepção

De acordo com a Reuters/Ipsos, a vantagem republicana começou a diminuir nos últimos meses, especialmente após o aumento do custo de vida provocado pela elevação do preço da gasolina.

Segundo a pesquisa, o combustível ficou mais caro após a escalada do conflito envolvendo Irã, Israel e Estados Unidos, acumulando alta superior a 25% desde o início da guerra. O encarecimento dos combustíveis passou a afetar diretamente a avaliação dos eleitores sobre a condução da economia.

A percepção de que os democratas estariam mais preparados para lidar com o cenário econômico aparece justamente em um período de maior pressão sobre o orçamento das famílias americanas.

Aprovação de Trump volta a cair

O levantamento também registrou queda na popularidade do presidente Donald Trump.

A aprovação do republicano caiu de 37% para 35%, dois pontos percentuais abaixo da pesquisa anterior realizada pela Reuters/Ipsos. O índice deixa Trump apenas um ponto acima da pior marca registrada desde o início de seu atual mandato.

Antes mesmo da divulgação do levantamento, Trump voltou a questionar pesquisas nacionais. Em publicação na rede social Truth Social, o presidente afirmou que seus índices reais de aprovação seriam superiores aos divulgados pelos institutos de pesquisa.

Democratas também lideram corrida pelo Congresso

A pesquisa simulou ainda o cenário para as eleições legislativas de novembro.

Se a votação fosse realizada hoje, 42% dos eleitores afirmaram que votariam em candidatos do Partido Democrata para o Congresso, enquanto 37% escolheriam candidatos republicanos.

Entre os eleitores independentes, a vantagem democrata chegou a 12 pontos percentuais, indicando uma mudança importante em um segmento decisivo para o equilíbrio político nos Estados Unidos.

Apesar dos números, especialistas destacam que a disputa pelo controle do Congresso continuará concentrada em um pequeno número de distritos e estados considerados competitivos. Dos 435 assentos da Câmara dos Representantes, cerca de 36 são vistos como realmente disputados, enquanto aproximadamente oito cadeiras do Senado são classificadas como competitivas.

A pesquisa Reuters/Ipsos foi realizada entre quarta-feira e segunda-feira com 4.505 adultos em todo o território americano. A margem de erro é de dois pontos percentuais.

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