A base democrata está em estado de alerta com o mau desempenho do presidente americano, Joe Biden, no debate de quinta-feira contra Donald Trump. Apesar de ter tentado apagar o fogo e afastar os temores de que não está capacitado para continuar no cargo em um comício de fala enérgica nesta sexta-feira (28), a ideia de uma desistência da candidatura perdura entre analistas e se reflete nos editoriais de importantes jornais e revistas, como o New York Times, o Wall Street Journal, a Time e até o britânico The Economist.
Para o NewYorkTimes, Biden, apesar de ser um presidente “admirável”, já não pode mais sustentar a justificativa de ser o candidato com a melhor chance de enfrentar a ameaça que Trump representa à democracia simplesmente por tê-lo derrotado em 2020.
“No debate de quinta-feira, o presidente precisava convencer o público americano de que estava à altura das exigências formidáveis do cargo que busca manter por mais um mandato. No entanto, não se pode esperar que os eleitores ignorem o que ficou claro: Biden não é o mesmo homem de quatro anos atrás”, pontuou o editorial.
O texto falou das dificuldades de Biden no debate na noite anterior e destacou que a idade e fragilidade do presidente são preocupantes, defendendo a ideia de que ele deveria retirar sua candidatura à reeleição para permitir que um novo candidato democrata “mais capaz” concorra. “A verdade que Biden precisa confrontar agora é que ele falhou em seu próprio teste”, escreveu o jornal americano. “Esta é a melhor chance de proteger a alma da nação — a causa que levou Biden a concorrer à Presidência em 2019 — da nefasta distorção de Trump. E é o melhor serviço que Biden pode prestar a um país que ele serviu de forma nobre por tanto tempo”, conclui o Times.
Mais cedo nesta sexta-feira, Biden fez um discurso enérgico em um comício em Raleigh, Carolina do Norte, enquanto tentava dissipar o pânico generalizado entre os democratas sobre seu desempenho no debate. “Sei que não sou um jovem, para não dizer o óbvio”, disse à multidão entusiasmada. “Mas eu sei o que sei. Eu sei dizer a verdade. Eu sei como fazer esse trabalho”, completou o democrata.
O comício de hoje aconteceu em meio aos receios na base democrata depois de seu desempenho frágil no primeiro debate eleitoral contra Trump, que fez com que a hipótese de uma troca de candidato antes das eleições de novembro ganhasse força internamente no partido.
Embora possível, a substituição é difícil, sobretudo sem contar com a vontade do próprio Biden de desistir antes da realização da convenção do partido, entre 19 e 22 de agosto.
O próprio Trump declarou que não vê o adversário abandonando a corrida, uma vez que é o democrata com melhor desempenho nas pesquisas.
Por enquanto, as insatisfações não têm efeito prático. Biden já deixou claro que não tem intenção de deixar o páreo e liberar a candidatura para alguém mais jovem. Além do compromisso com os doadores da campanha democrata, o presidente conta também com o respaldo de líderes importantes dentro do partido, além do apoio de figuras importantes como o ex-presidente Barack Obama, do quem Biden foi vice.
Com informações de O Globo.








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