Cresce pressão por novo candidato democrata após debate desastroso de Biden

Analistas e conselheiros políticos do partido apontam que, embora possível, a substituição é difícil, especialmente sem a renúncia voluntária do presidente

O fraco desempenho do presidente dos EUA, Joe Biden, no primeiro debate eleitoral com Donald Trump nessa quinta-feira (27), descrito como “desastroso” por membros do Partido Democrata, intensificou as discussões sobre a possibilidade de trocar de candidato antes das eleições de novembro.

Analistas e conselheiros políticos do partido apontam que, embora possível, a substituição é difícil, especialmente sem a renúncia voluntária de Biden.

Com voz rouca devido a um resfriado, Biden teve um desempenho hesitante e desconexo no debate, renovando preocupações sobre sua capacidade de liderar o país por mais quatro anos. Apesar das críticas, Biden afirmou aos repórteres que continuará na disputa.

David Axelrod, ex-estrategista de campanha do presidente Barack Obama, comentou que o desempenho de Biden gerou pânico entre os democratas, sugerindo que haverá discussões sobre sua continuidade na campanha. No entanto, substituir Biden é complicado, uma vez que ele enfrentou pouca oposição nas primárias e garantiu mais de 90% dos delegados para a Convenção Nacional Democrata, marcada para agosto em Chicago.

O caminho mais simples seria a renúncia de Biden antes da convenção, mas o partido não possui um mecanismo formal para remover e substituir um candidato sem a sua desistência. Alguns conselheiros, como Van Jones e Thomas Friedman, sugeriram que Biden deveria abrir mão da candidatura, permitindo que os delegados escolhessem outro candidato durante a convenção.

Sem circunstâncias extraordinárias ou um plano alternativo claro, é improvável que Biden seja removido da chapa. Qualquer desafiante interno precisaria anunciar sua candidatura e contar com a lealdade dos delegados já comprometidos com Biden.

O Comitê Nacional Democrata tinha planos de antecipar a nomeação de Biden, para garantir sua inclusão nas cédulas eleitorais antecipadas de Ohio. No entanto, essa antecipação pode ser revisada em função das discussões sobre sua candidatura.

Se Biden renunciasse após a convenção, a decisão de substituí-lo caberia aos membros do Comitê Nacional Democrata. Esse cenário enfrentaria o desafio adicional das cédulas já impressas com o nome de Biden, complicando a contagem dos votos já depositados.

Entre os possíveis sucessores estão a vice-presidente Kamala Harris, o governador da Califórnia Gavin Newsom, o governador de Illinois J.B. Pritzker e a governadora de Michigan Gretchen Whitmer. Contudo, pesquisas indicam que nenhum desses candidatos tem desempenho significativamente melhor contra Trump do que Biden.

Historicamente, a troca de candidatos após as primárias é rara. O caso mais notável é o de Lyndon Johnson, que em 1968, decidiu não buscar a reeleição em meio aos protestos contra a Guerra do Vietnã, uma decisão anunciada antes do calendário moderno de nomeações.

Leia a íntegra da reportagem em O Globo

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