Da negação de golpe a críticas às urnas: veja os 7 pontos do depoimento de Bolsonaro a Moraes no STF

Interrogado por duas horas sobre trama golpista, ex-presidente afirma que não havia “clima” para ruptura

Em depoimento de cerca de duas horas ao Supremo Tribunal Federal (STF), nesta terça-feira (10), o ex-presidente Jair Bolsonaro negou ter articulado ou apoiado uma tentativa de golpe após perder as eleições de 2022. Réu na ação penal que apura a chamada trama golpista, ele afirmou que “não havia clima” nem “base sólida” para qualquer iniciativa nesse sentido, rejeitou a existência de um plano estruturado e voltou a colocar em dúvida o sistema de urnas eletrônicas.

Diante do relator Alexandre de Moraes, Bolsonaro também pediu desculpas por declarações feitas em reunião ministerial de 2022, negou ter endossado a chamada minuta do golpe, refutou a ideia de que os ataques de 8 de janeiro configuraram tentativa de ruptura institucional e disse que não passou a faixa a Lula por temer “a maior vaia da história do Brasil”.

Veja os principais trechos do interrogatório:

1. “Sem clima” para golpe de Estado
Bolsonaro reconheceu ter debatido com auxiliares hipóteses como o Estado de Sítio após a vitória de Lula, mas disse que as propostas foram descartadas por falta de sustentação política e social.
— Golpe não são meia dúzia de pessoas, dois ou três generais e meia dúzia de coronéis. (…) Da minha parte, nunca se falou em golpe, é uma coisa abominável — afirmou.

2. 8 de janeiro “não foi golpe”
Segundo o ex-presidente, os ataques às sedes dos Três Poderes não podem ser classificados como tentativa de golpe, já que, em sua visão, não houve comando ou planejamento.
— Mil e quinhentas pessoas, pobres coitados… Aquilo não é golpe. Não foi encontrada uma arma de fogo junto àquelas pessoas — disse, citando opiniões semelhantes atribuídas a José Múcio, José Sarney e Nelson Jobim.

3. Desculpas a Moraes por reunião ministerial
Questionado sobre fala em que acusava ministros do STF de receber propinas para defender as urnas, Bolsonaro se desculpou e afirmou que o conteúdo da reunião não era para ser gravado:
— Me desculpe. Não tive intenção de acusar de desvio de conduta. (…) Nunca desrespeitei uma decisão sequer. Joguei dentro das quatro linhas da Constituição o tempo todo.

4. Rejeição à minuta do golpe
Bolsonaro afirmou que nunca viu a minuta em sua versão completa e negou que tenha solicitado alterações ao texto. Disse que discutiu apenas “considerandos” com assessores e que logo se descartou qualquer medida:
— Foi mostrado rapidamente numa tela. A ideia já começou fraca e nada foi para a frente.

5. Negou previsão de prisão de Moraes
O ex-presidente também refutou a versão apresentada por Mauro Cid em delação premiada, segundo a qual havia discussão sobre prender autoridades.
— Isso não estava previsto. As conversas eram informais, não havia proposta concreta — afirmou Bolsonaro, que também disse não ter tido acesso ao documento citado.

6. Críticas genéricas ao sistema eleitoral
Apesar de ter recebido o relatório das Forças Armadas que não apontava fraudes nas urnas, Bolsonaro voltou a levantar suspeitas, ainda que sem apresentar provas:
— A dúvida faz parte da democracia. Pode não ter havido nada no passado, mas a crítica permanece — disse.
Moraes rebateu:
— Não há nenhuma dúvida sobre o sistema eletrônico. Esse inquérito (citado por Bolsonaro) não tem absolutamente nada a ver com as urnas.

7. Ausência na posse de Lula foi para evitar vaias
Por fim, Bolsonaro explicou que não participou da cerimônia de posse do atual presidente para evitar constrangimentos públicos:
— Eu não ia me submeter à maior vaia da história do Brasil. (…) Não havia gana para fazer algo (contra o resultado). Precisávamos entubar.

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