De Leonardo da Vinci a Rambo do Buá: os nomes que disputam uma vaga na Alerj

Eleição para deputado estadual no Rio reúne mais de mil candidaturas e uma coleção de apelidos, profissões, bairros, patentes e referências religiosas na tentativa de conquistar a memória do eleitor

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Com a eleição marcada para o próximo domingo, a disputa pela atenção do eleitor entra nos últimos dias e, entre 1.188 candidatos para apenas 70 cadeiras, ser lembrado pode ser um desafio à parte. Na corrida por uma vaga na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), há quem tente começar essa batalha pelo próprio nome que aparecerá na urna: Leonardo da Vinci, Pelé Barbeiro, Zico PQD, Tia da Creche e Rambo do Buá são alguns dos registros das Eleições 2026 no estado.

A lista reúne 792 homens e 396 mulheres. A poucos dias de o eleitor ir às urnas, quase 100 dos mais de mil concorrentes apostam em nomes que substituem ou acrescentam referências a profissões, comunidades, atividades ou apelidos. O resultado é um retrato curioso das diferentes estratégias usadas pelos candidatos para tentar se destacar em uma disputa numerosa e permanecer na memória do eleitor.

Profissão vira sobrenome

A área da saúde é uma das mais presentes. Ana da Saúde, Érica da Saúde, Marilea da Saúde, Alanzinho da Saúde, Naldo da Saúde, Leila da Saúde, Valdecy da Saúde, Kátia da Saúde, Sandro da Saúde e Laura da Saúde estão entre os exemplos.

Outros candidatos recorreram diretamente ao ofício ou à atividade pela qual querem ser reconhecidos. A relação inclui Tuninho da Padaria, Salgadinho do Frete, Rafael da Empada, Tia do Café, Orlando Russo da Panela, Simone do Quiosque, Zezinho do Caminhão, Marcelo da Construção e Eli da Refrigeração.

Há ainda nomes como Graciara Vendedora de Doces, Chris da Quatro Patinhas e Ari da Copa. Em outra vertente aparecem Marcelinho das Comunidades, Charles Fiscal do Povo, Josias Moreira O Homem do Povo, Marcinha do Povo, Dani do Povo, Velloso A Voz do Povo e Marquinho do Povo.

Da Zona Oeste a Búzios

A geografia também foi incorporada ao nome de urna. Onze candidatos fazem referência direta a bairros, regiões ou municípios.

Vania do Alemão (DC), Mara da Zona Oeste (Mobiliza), Zico Zona Oeste Raiz (PSD), André do Flamengo (Mobiliza) e Chiquinho da Mangueira (Avante) apostam em referências da capital.

Fora dela, aparecem Léo Taí O Zorro de Caxias (Agir), Marcell Castro de Barra Mansa (PDT), Mário Sodré de Nova Iguaçu (MDB), Carol de Caxias (PL), Sussu de Búzios (Mobiliza) e Dyonne de Seropédica (Pode).

A escolha associa diretamente a candidatura ao território com o qual o concorrente pretende ser identificado justamente no momento em que a campanha chega à reta final.

Professores, policiais e militares

A profissão também ocupa espaço importante na relação de candidaturas. Entre os concorrentes, 63 se apresentam como professores ou pedagogos. Estão nesse grupo Professor Waldeck Carneiro (PT), Professora Sonia (PSDB), Professora Márcia Martins (PSD), Professor Antônio Augusto (PSOL) e Professor Marcão (PDT).

As carreiras policiais e militares aparecem em 71 candidaturas. Sargento Martins (Agir), Coronel Márcio (PL), Delegado Ruchester (Agir), Delegada Tatiana Queiroz (Republicanos), Comissário Márcio Garcia (PSDB) e Tenente Otacílio Filho (Podemos) estão entre os candidatos que incorporaram patente ou função ao nome eleitoral.

Segundo informações já divulgadas, 84 agentes de segurança foram afastados de suas funções neste ano para disputar cargos eletivos no Rio, sendo 51 policiais militares, 20 policiais civis e 13 bombeiros.

Religião também chega à urna

Referências religiosas formam outro grupo. São 20 candidatos com termos ligados à religião em seus nomes de urna. Considerando Pastor, Pastora, Bispo e Bispa, são 19 registros; com Missionário e Missionária, o total chega a 20.

Entre eles estão a Pastora Maria da Penha (PSDB), Pastor Samuel Gonzaga (Avante), Bispo Reis da Saúde (PDT), Missionário Thiago (PT) e Pastor do Peixe (Agir).

A contagem exige uma ressalva. Jairo Bispo e Paula Bispo também aparecem em buscas pelo termo “Bispo”, mas, nesses dois casos, trata-se do sobrenome dos candidatos, e não de um título religioso.

Pelé, Zico e Leonardo da Vinci

É entre os apelidos e nomes incomuns que a lista ganha seus registros mais singulares. Além de Alibaba do Magaça, Mister do Seu Braz, Rambo do Buá e Juciane Passeata das Mães, estão na disputa Pelé Barbeiro (DC), Zico PQD (PP), Carlinhos Vieira – The Best 16 (PSDB), Rodrigo Farias O Xuxa (PL) e Leonardo da Vinci (Mobiliza).

As referências podem remeter a personalidades conhecidas, mas não indicam relação dos candidatos com os famosos de nomes semelhantes.

A diversidade também aparece nas idades. Quezia Souza, de 20 anos, é a candidata mais jovem da relação, enquanto Jorge Coutinho e Almir Rangel, ambos com 92 anos, estão no outro extremo. A distância entre as duas pontas chega a 72 anos.

Na distribuição partidária, o Novo registra 72 candidatos. Agir, Republicanos, DC e PSB aparecem em seguida, com 71 cada. Quanto à raça/cor autodeclarada, são 557 brancos, 366 pardos, 254 pretos, oito indígenas e três amarelos. A relação inclui ainda 35 estudantes e 11 donas de casa na ocupação informada à Justiça Eleitoral.

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