Datafolha para São Paulo: Alckmin, Haddad e França lideram disputa pelo governo do estado

A mais recente pesquisa do Datafolha sobre a eleição para a sucessão de João Doria (PSDB) no governo paulista explicita o peso articulação em curso para atrair o ex-governador Geraldo Alckmin (sem partido) para a vaga de vice na chapa presidencial de Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Os políticos com interesses locais envolvidos nesta…

A mais recente pesquisa do Datafolha sobre a eleição para a sucessão de João Doria (PSDB) no governo paulista explicita o peso articulação em curso para atrair o ex-governador Geraldo Alckmin (sem partido) para a vaga de vice na chapa presidencial de Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Os políticos com interesses locais envolvidos nesta negociação lideram a corrida para o Palácio dos Bandeirantes: em três cenários diferentes, pontuam à frente Alckmin, o ex-prefeito paulistano Fernando Haddad (PT) e o ex-governador Márcio França (PSB).

A ideia de ter o ex-tucano como vice de Lula foi elaborada pelos dois últimos, com o conhecimento do candidato petista à presidência. Adversários da ideia, que querem ver Alckmin na disputa pelo governo de São Paulo apontam que a jogada só visou a retirá-lo do páreo.

O Datafolha ouviu 2.034 eleitores de 13 a 16 de dezembro, em 70 municípios do estado. A margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou menos. Doria, candidato à presidência, descarta concorrer à reeleição como governador.

Na hipótese A, Alckmin lidera com 28%, seguido por Haddad (19%), França (13%), Guilherme Boulos (PSOL, 10%), o ministro Tarcísio Gomes de Freitas (sem partido, 5%), Arthur do Val (Patriota, 2%) e a dupla Vinicius Poit (Novo) e Abraham Weintraub (sem partido), com 1%. Brancos e nulos somam 16%, e 4% não opinaram.

Esse cenário parece difícil de resistir às articulações, não só sobre Alckmin: Boulos e Haddad também poderiam entrar em algum tipo de acordo envolvendo a chapa nacional.

Além disso, o cenário A não inclui o vice-governador Rodrigo Garcia (PSDB) porque, quando o levantamento começou a ser feito, Alckmin ainda estava no PSDB e o instituto não opõe dois nomes da mesma sigla.

Em relação à intenção de voto dos principais candidatos, há estabilidade em relação à rodada anterior, em setembro.

No cenário B, considera-se que Alckmin deixou a corrida, mas França e Boulos permanecem. Aqui, o ex-prefeito petista Haddad lidera, dom 28%, e em viés de crescimento, acima dos 23% registrados há três meses. Já França permanece com 19%, Boulos oscila de 13% para 11%, Tarcísio, de 6% para 7%, Garcia, de 5% para 6%, Arthur do Val, de 5% para 3%, Weintraub, de 2% para 1%, e Poit fica em 1%. Os votos brancos e nulos são 21%, e 4% não responderam.

No cruzamento de dados, 30% dos eleitores do ex-governador optam por Haddad, 19% por França, e 13%, por Garcia.

Nesta pesquisa, o instituto testou um novo cenário, simulando um acordo em que tanto Alckmin quanto Haddad deixam a corrida, supondo que o ex-prefeito petista concorra ao Senado, como defende o PSB e como rejeita majoritariamente o PT.

Nesta simulação, o ex-governador França assume a posição de liderança com os mesmos 28% dos rivais nos outros cenários, seguido por Boulos com 18%. Tarcísio (9%) empata novamente com Garcia (8%), ambos se descolando do pelotão de trás —Arthur do Val fica com 4%, Weintraub, 2%, e Poit, 1%.

Neste cenário, o butim do eleitorado alckmista é dividido por França (32%), que foi seu vice e é um aliado próximo, Garcia (18%) e Boulos (10%). Entre os eleitores do ex-prefeito paulistano, 30% vão de França e 30%, com o nome do PSOL.

A dança de posições mostra a interdependência da negociação nacional com os cenários paulistas. Alckmin queria sair candidato pelo PSDB mesmo, mas Doria cumpriu o acordo feito em 2018 com Garcia, e o indicou à sua sucessão.

A briga interna no DEM, depois da derrota do grupo de Rodrigo Maia na eleição vencida por Arthur Lira (PP-AL) na Câmara em fevereiro, resolveu um problema para o governador tucano: Garcia saiu do partido e filiou-se ao PSDB, evitando assim que Alckmin o desafiasse na base.

Apesar da posição ainda modesta nas pesquisas, há uma certeza, entre governistas e adversários de Doria, de que Garcia tende a crescer pelo domínio da máquina estadual. Há R$ 50 bilhões disponíveis para obras e investimentos até o fim de 2022, e o vice já é uma espécie de primeiro-ministro do governo.

Isso o coloca em contato estreito com prefeitos, a base de qualquer eleição em São Paulo — mesms o relativamente desconhecido França quase elegeu-se em 2018, quando perdeu um segundo turno acirrado para Doria, por ter trabalhado esse contato.

Afora o balé Alckmin-Haddad-França, outro nome que chama a atenção é o do ministro da Infraestrutura, Tarcísio, que é o candidato preferido do presidente Jair Bolsonaro (PL). Ele ainda não decididu por qual partido deve concorrer, mas os seus números não são ruins, pelo menos para um neófito. Ele deverá engolir a postulação do ex-ministro da Educação Weintraub.

Na pesquisa espontânea, por exemplo, Tarcísio pontua com 2%, o mesmo que Boulos e França, empatado tecnicamente com Alckmin (3%), Haddad (3%) e Doria (4%) — aqui o entrevistado responde sem um cartão com nomes, daí o atual governador aparecer.

(Com base em texto da Folha)

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