Datafolha: 75% veem STF com poder excessivo, mas 71% defendem papel na democracia

Levantamento mostra desconfiança crescente no Supremo, embora maioria reconheça importância da Corte para o país

A mais recente pesquisa do Datafolha revela um cenário de percepção ambígua dos brasileiros em relação ao Supremo Tribunal Federal (STF). Segundo o levantamento, 75% dos entrevistados acreditam que os ministros da Corte concentram poder em excesso, enquanto 71% consideram o tribunal fundamental para a manutenção da democracia no Brasil.

O estudo foi realizado entre os dias 7 e 9 de abril de 2026, ouvindo 2.004 pessoas em 137 municípios. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, e o registro foi feito no Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Além disso, 75% dos participantes afirmaram que a confiança da população no STF diminuiu em comparação ao passado. Como esta é a primeira vez que essas questões foram aplicadas pelo instituto, não há base anterior para comparação.

Percepções variam conforme voto nas eleições

A avaliação sobre o poder do STF varia de acordo com o posicionamento político dos entrevistados. Entre os eleitores de Jair Bolsonaro, 88% consideram que o tribunal tem poder excessivo. Já entre os votantes de Luiz Inácio Lula da Silva, esse índice cai para 64%, ainda assim representando a maioria.

Por outro lado, quando questionados sobre a importância da Corte para a democracia, o cenário se inverte. Entre os eleitores de Lula, 84% defendem o papel essencial do STF, enquanto entre os apoiadores de Bolsonaro esse número é de 60%.

Já entre os que votaram em branco, nulo ou não participaram do pleito, 67% apontam excesso de poder nos ministros, e 73% reconhecem a relevância do tribunal para o equilíbrio democrático.

STF no centro do debate político

O STF ocupa posição central no debate público brasileiro há anos, especialmente desde julgamentos de grande repercussão. Casos como a Operação Lava Jato, o impeachment de Dilma Rousseff, a anulação de condenações de Lula e decisões durante a pandemia de Covid-19 ampliaram a visibilidade da Corte.

Mais recentemente, investigações relacionadas aos atos de 8 de janeiro e a apuração de uma suposta trama golpista envolvendo Bolsonaro mantiveram o tribunal em evidência.

Apesar de decisões controversas, como o inquérito das fake news, parte da opinião pública apoiou a atuação do STF diante de ameaças institucionais ao longo dos últimos anos.

Pressão por mudanças e novos desafios

O desgaste recente da Corte também está ligado a suspeitas envolvendo ministros e o empresário Daniel Vorcaro, no contexto do chamado escândalo do Banco Master. O episódio aumentou a pressão por maior transparência e regras mais rígidas de conduta.

Entre as propostas em discussão está a criação de um código de ética para os magistrados, defendido inclusive pelo presidente do STF, Edson Fachin.

Especialistas do meio jurídico também defendem reformas estruturais, como a limitação de decisões individuais (monocráticas). Há ainda o alerta de que, caso o próprio tribunal não promova mudanças, reformas podem ser impostas por outros poderes.

Eleições e futuro do Supremo

O papel do STF deve ganhar destaque nas eleições de 2026, especialmente nas disputas para o Senado. Aliados de Bolsonaro pretendem ampliar sua bancada com o objetivo de avançar em propostas como o impeachment de ministros da Corte.

Nesse contexto, o Supremo segue como uma das instituições mais influentes — e também mais debatidas — da política brasileira contemporânea.

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