Eleições no Peru têm caos em Lima e votação extra mantém indefinição do 2º turno

Falta de material eleitoral afetou mais de 50 mil eleitores, gerou prisão e ampliou tensão política no país

Peruanos que não conseguiram votar no domingo (12) por conta do caos em centros eleitorais de Lima retornaram às urnas nesta segunda-feira (13), em um cenário marcado por falhas logísticas e incerteza sobre o segundo turno presidencial.

Na capital, ao menos 13 locais de votação não receberam material a tempo, prejudicando mais de 50 mil eleitores, segundo autoridades. A situação obrigou a reabertura emergencial de pontos de votação, prolongando o processo eleitoral.

A autônoma Berta Arotoma, de 35 anos, foi uma das afetadas e precisou comparecer quatro vezes ao local de votação em dois dias. Ela relatou perda de horas de trabalho para garantir o direito ao voto.

Falhas logísticas geram críticas e prisão

A crise eleitoral provocou forte reação da população e de lideranças políticas. O Escritório Nacional de Processos Eleitorais (ONPE) decidiu não aplicar multas aos eleitores prejudicados, medida considerada excepcional.

Segundo o porta-voz do órgão, Luis Ramos, a decisão teve como objetivo assegurar a participação política dos cidadãos impactados pelas falhas no processo.

As irregularidades já resultaram na prisão de José Samamé Blas, funcionário que assumiu responsabilidade pelos problemas após pedir demissão. O caso ampliou a pressão sobre a organização do pleito.

Disputa presidencial segue indefinida

Na apuração parcial, com mais de 65% das urnas contabilizadas, Keiko Fujimori aparece na liderança com cerca de 16,9% dos votos, seguida por Rafael López Aliaga, com aproximadamente 13,5%.

Aliaga, conhecido por discursos contundentes, chegou a acusar fraude e pediu a prisão do chefe do órgão eleitoral, aumentando o clima de tensão política no país.

Pesquisas de boca de urna e projeções indicam ambos como possíveis nomes no segundo turno. No entanto, levantamentos também apontam a possibilidade de Roberto Sánchez avançar à fase final.

Cenário político fragmentado e imprevisível

Caso a tendência se confirme, a disputa final pode opor Fujimori, filha do ex-presidente Alberto Fujimori, a um candidato de perfil conservador ligado ao movimento Opus Dei.

A candidatura de Keiko chega ao quarto pleito consecutivo, marcada por derrotas anteriores no segundo turno, frequentemente atribuídas à forte rejeição ao fujimorismo no país.

Esse fator, porém, pode ter comportamento diferente diante de um adversário considerado mais radical, o que aumenta a imprevisibilidade do resultado.

Alta fragmentação e votos dispersos

O cenário eleitoral peruano é marcado por fragmentação recorde, com 35 candidatos concorrendo à presidência, o maior número da história do país.

A dispersão de votos mantém os principais candidatos com percentuais próximos, dificultando a definição clara dos dois nomes que avançarão ao segundo turno.

Outro dado que chama atenção é o número de votos destinados ao candidato falecido Napoleón Becerra, que permanecia nas cédulas e recebeu milhares de votos que serão anulados.

Esse contexto contribui para o aumento de votos brancos e nulos, reforçando o clima de incerteza que ainda domina o processo eleitoral no Peru.

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