O Peru quer recontar parte dos votos das eleições presidenciais, o que deve adiar a divulgação do resultado oficial para meados de maio. A informação foi confirmada neste sábado (18) pela secretária-geral do Júri Nacional de Eleições (JNE), Yessica Clavijo.
Segundo a autoridade eleitoral, ao menos 106 atas de urnas serão reavaliadas, número que ainda pode crescer à medida que a análise dos recursos avança. A revisão ocorre após o recebimento de mais de 15 mil folhas de apuração contestadas, sendo cerca de 30% relacionadas à disputa presidencial.
De acordo com Clavijo, os pedidos de revisão estão ligados a erros ou omissões no registro dos votos.
Disputa apertada pelo segundo turno
Com 93,3% das urnas apuradas, a candidata Keiko Fujimori lidera a corrida com cerca de 17% dos votos. Na sequência, aparece o deputado Roberto Sánchez, com 12%, seguido de perto por Rafael López Aliaga, com 11,9%.
A diferença entre os dois últimos colocados é de cerca de 13 mil votos, o que mantém indefinida a disputa pela segunda vaga no segundo turno.
Pressão sobre autoridades eleitorais
O atraso na apuração e as falhas apontadas no processo ampliaram a pressão sobre o chefe do Escritório Nacional de Processos Eleitorais, Piero Corvetto.
Líderes empresariais e parlamentares têm pedido sua renúncia, sob o argumento de que um novo comando deveria conduzir a etapa final da eleição. As críticas se intensificaram após problemas logísticos que levaram à prorrogação da votação em algumas regiões, especialmente na capital, Lima.
Também foram registradas acusações de fraude, negadas pelas autoridades eleitorais.
Investigações e questionamentos
O cenário de incerteza levou o principal tribunal eleitoral do país a apresentar uma queixa criminal contra Corvetto, citando possíveis irregularidades no processo.
Além disso, a polícia investiga o caso de materiais eleitorais encontrados em via pública em Lima. Segundo o órgão responsável pela apuração, os votos dessas seções já haviam sido contabilizados.
Apesar das suspeitas levantadas por setores políticos, observadores da União Europeia afirmaram não ter identificado evidências de fraude até o momento.






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