O dólar encerrou a segunda-feira cotado a R$ 4,99, registrando queda de 0,3% e atingindo o menor nível desde março de 2024. Este é o patamar mais baixo da moeda norte-americana em cerca de dois anos, reforçando o movimento recente de valorização do real frente à divisa dos Estados Unidos.
Na última vez em que o dólar esteve abaixo dos R$ 5, em 27 de março de 2024, a cotação fechou em R$ 4,97. Desde então, oscilações no cenário internacional e fatores domésticos influenciaram o comportamento cambial, que agora volta a apresentar níveis mais baixos.
O desempenho recente é atribuído, principalmente, ao aumento do fluxo internacional voltado para o mercado de commodities, especialmente o petróleo, produto do qual o Brasil é um importante exportador.
Alta das commodities fortalece o real no mercado internacional
De acordo com analistas do mercado financeiro, a valorização das commodities tem impacto direto na taxa de câmbio brasileira. O índice CRB, que acompanha o preço de matérias-primas globais, acumulou alta de cerca de 20% desde o início de tensões geopolíticas no Oriente Médio.
Com o aumento dos preços, países exportadores, como o Brasil, tendem a atrair mais dólares, fortalecendo a moeda local. Esse movimento contribui para a queda da cotação da divisa americana frente ao real.
No acumulado de 2026, o dólar já apresenta desvalorização de 8,96%, refletindo tanto o cenário externo quanto fatores internos da economia brasileira.
Inflação e juros elevados também influenciam o câmbio
Outro fator relevante para o comportamento do câmbio é a expectativa de inflação. O Boletim Focus mais recente elevou a projeção do IPCA para 2026 para 4,71%, influenciado pelos impactos do cenário internacional.
A perspectiva de inflação mais alta indica manutenção de juros elevados por mais tempo no Brasil, o que tende a atrair investidores estrangeiros em busca de maior rentabilidade.
Esse ambiente favorece operações conhecidas como carry trade, em que investidores captam recursos em países com juros baixos e aplicam em economias com taxas mais altas, como a brasileira.
Conflitos globais ampliam incertezas e efeitos econômicos
Especialistas também apontam que os efeitos das tensões geopolíticas, especialmente envolvendo grandes produtores de petróleo, tendem a ser prolongados e impactar diversos setores da economia.
O aumento nos preços da energia e de outras commodities gera efeitos em cadeia, pressionando custos e influenciando expectativas inflacionárias globais.
A tendência, segundo projeções do mercado, é de novas revisões para cima nas estimativas de inflação, o que pode manter o cenário de juros elevados e sustentar a valorização do real no curto prazo.





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