Após uma eleição em que, diferentemente do estado, a capital paulista reconduziu com votos Luiz Inácio Lula da Silva, do PT, ao Palácio do Planalto e, anteriormente, Fernando Haddad (PT), ao Palácio dos Bandeirantes, 32% dos paulistanos se identificam como petistas, enquanto 15% se declaram bolsonaristas.
É o mostram os dados recolhidos do Datafolha em levantamento realizado presencialmente nos dias 29 e 30 de agosto pela cidade de São Paulo, com 1.092 entrevistados de 16 anos ou mais. A margem de erro estimada é de três pontos percentuais, para mais ou para menos.
O instituto de pesquisas mediu o espectro da polarização, partindo de 1 (bolsonarista) a 5 (petista), tendo 2 como uma classificação de mais bolsonarista que petista, 4, o contrário, e 3 sendo um ponto de neutralidade entre os dois campos políticos.
Nestes espectros, 26% afirmaram estar neutros, enquanto 6% afirmaram estar mais próximos ao bolsonarismo e 13% mais próximos ao petismo.
Somando-se os espectros mais bolsonaristas e os espectros mais petistas, são 21% de alguma forma alinhados às ideias de Jair Bolsonaro (PL), enquanto 45% veem mais concordâncias com o partido de Lula (PT).
Em relação ao panorama nacional, onde se dizem petistas 29% dos eleitores e 25% apreciam o ex-presidente, São Paulo tem visto uma tendência maior ao partido do atual presidente da República e à esquerda.
Essa tendência confirma a manutenção do cenário visto no pleito de 2022, quando, na capital paulista, Lula recebeu 54% dos votos válidos ante Bolsonaro, e Haddad recebeu 55% da preferência dos eleitores contra Tarcísio de Freitas (Republicanos)
Na contagem de todo o estado, o resultado foi inverso — o ex-presidente venceu por 55% a 45% de Lula, e Tarcísio de Freitas foi eleito governador com 55% dos votos, ante 45% do atual ministro da Fazenda.
Este sentimento mais à esquerda se relaciona ainda com a largada do deputado federal Guilherme Boulos (Psol) na dianteira das pesquisas eleitorais para a Prefeitura de São Paulo em 2024 — ele tem 32% das intenções de voto, enquanto Ricardo Nunes (MDB) figura com 24%.
Alguns movimentos, porém, são semelhantes entre os dois grupos. A avaliação da gestão de Nunes, por exemplo, é vista majoritariamente como regular entre petistas e bolsonaristas (48% no primeiro espectro e 40% segundo).
Os dois lados da disputa ideológica também estão juntos em afirmarem que há uma necessidade de mudança na próxima administração municipal — 62% dos apoiadores de Bolsonaro e 84% dos de Lula entendem que as ações do próximo prefeito devem ser diferentes das do atual.
Nunes está na esfera da centro-direita e flerta com Bolsonaro. Em 23 de agosto, ele elogiou o ex-mandatário e disse explicitamente querer seu apoio: “Só para deixar claro, a questão do presidente Bolsonaro, eu desejo o apoio do presidente Bolsonaro. E do governador Tarcísio, do PP, do PL, eu não sou aqui de ficar trabalhando em tese, com futurologia”, disse.
Já Boulos se beneficia de um acordo com o PT realizado em 2022, desistindo de concorrer ao governo do estado de São Paulo para apoiar a candidatura de Haddad, em troca de apoio para uma candidatura ao Executivo da capital paulista no próximo ano.
Com informações da Folha de S. Paulo.





