Daniel Vorcaro deixa presídio em SP e é transferido para penitenciária federal em Brasília

Investigado por fraudes bilionárias no caso Banco Master, empresário foi levado em comboio até aeroporto de São José dos Campos

O banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, deixou na manhã desta sexta-feira (6) o presídio de Potim, no interior de São Paulo, e iniciou a transferência para Brasília, onde deve cumprir prisão preventiva em uma penitenciária federal de segurança máxima.

Equipes da TV Vanguarda, afiliada da Globo no Vale do Paraíba, registraram o momento em que o empresário deixou a unidade prisional por volta das 11h30. Uma viatura descaracterizada interrompeu o trânsito na rua do presídio para garantir a saída do comboio.

Na sequência, quatro veículos deixaram o presídio — dois da Polícia Penal e dois da Secretaria da Administração Penitenciária (SAP) de São Paulo. Vorcaro estava em uma das viaturas da SAP.

Transferência para presídio federal

A expectativa é que o banqueiro seja levado ao aeroporto de São José dos Campos, a cerca de 70 quilômetros de Potim. De lá, ele deve embarcar em um voo da Polícia Federal com destino a Brasília.

Na capital federal, Vorcaro será encaminhado para uma penitenciária federal de segurança máxima. Já o cunhado do banqueiro, Fabiano Zettel, que também foi preso na investigação, permanece detido na unidade de Potim.

A decisão de transferência foi tomada pelo ministro relator do caso no Supremo Tribunal Federal (STF). No despacho, ele mencionou argumentos da Polícia Federal de que a permanência do investigado em um presídio estadual representaria risco à segurança pública.

Segundo a PF, Vorcaro possui “significativa capacidade de articulação e influência sobre diversos atores situados em diferentes esferas do poder público e do setor privado”. Por esse motivo, a custódia em um presídio federal permitiria maior controle e monitoramento das medidas judiciais.

Investigação sobre fraudes bilionárias

Vorcaro foi preso novamente na quarta-feira (4) durante a terceira fase da Operação Compliance Zero, conduzida pela Polícia Federal. A investigação apura um esquema bilionário de fraudes financeiras ligado ao Banco Master.

De acordo com a PF, o grupo investigado teria atuado na venda de títulos de crédito falsos, além de práticas como lavagem de dinheiro, corrupção, ameaça e invasão de dispositivos informáticos.

O nome da operação faz referência à suposta ausência de mecanismos de controle nas instituições envolvidas, o que teria permitido crimes como gestão fraudulenta e manipulação de mercado.

Além de Vorcaro e de seu cunhado, também foram alvos da operação o coordenador de segurança Luiz Phillipi Mourão, conhecido como “Sicário”, e o policial federal aposentado Marilson Roseno da Silva.

A Justiça determinou ainda o afastamento de investigados de cargos públicos e o bloqueio de bens de até R$ 22 bilhões, medida destinada a interromper a movimentação de ativos vinculados ao grupo e preservar valores que possam ter relação com as irregularidades investigadas.

Defesa nega irregularidades

A defesa de Daniel Vorcaro afirma que o banqueiro sempre colaborou com as autoridades e rejeita qualquer tentativa de obstrução das investigações.

Em nota, os advogados disseram que ele “sempre esteve à disposição das autoridades” e “jamais tentou obstruir o trabalho das autoridades ou da Justiça”.

A defesa também declarou que “nega categoricamente as alegações atribuídas” ao empresário e afirmou confiar que o esclarecimento completo dos fatos demonstrará “a regularidade de sua conduta”, reiterando confiança “no devido processo legal e no regular funcionamento das instituições”.

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