Cúpula do PL atua para blindar Gilmar Mendes de sanções dos EUA; entenda

Valdemar Costa Neto e aliados de Bolsonaro veem ministro como principal ponte com o Supremo e tentam evitar desgaste político

As mensagens apreendidas pela Polícia Federal mostram que não é apenas Jair Bolsonaro quem se mobiliza para que as sanções impostas pelos EUA a autoridades brasileiras não atinjam o decano do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes. Dirigentes da cúpula do PL, incluindo o presidente da legenda, Valdemar Costa Neto, também defendem a preservação do ministro, considerado peça central no canal de interlocução do partido com a mais alta corte do país. As informações são da colnista Bela Megale, do jornal O Globo.

De acordo com integrantes do partido, Valdemar e outros aliados do ex-presidente reforçaram junto a Eduardo Bolsonaro (PL-SP), responsável por conduzir a articulação das punições junto ao governo de Donald Trump, que Gilmar não deveria ser alvo das medidas. O próprio Eduardo foi alertado de que uma eventual sanção poderia comprometer os esforços de aproximação da legenda com o STF.

— Seria muito ruim ter Gilmar sancionado. Ele é nosso principal canal de conversa com o Supremo. Não podemos perder isso — afirmou um dirigente do PL.

Canal aberto com o Supremo

Os diálogos revelados pela investigação indicam que, após o episódio, Gilmar Mendes manteve conversas com aliados de Bolsonaro, muitas delas por telefone. Interlocutores afirmam que o ministro reiterou que sanções impostas por Washington não terão qualquer impacto sobre o funcionamento do STF, especialmente em julgamentos de alta repercussão, como o da tentativa de golpe de 8 de janeiro.

Apesar dessa avaliação, bolsonaristas insistem em tratá-lo como o elo mais aberto ao diálogo dentro da Corte, ressaltando sua influência sobre os colegas. Essa percepção reforça o esforço político de manter o decano distante de qualquer atrito com a ala mais radical do PL.

Citado em conversas de Bolsonaro

Nesta segunda-feira (25), Gilmar comentou o fato de ter sido citado em uma conversa entre Jair Bolsonaro e Eduardo. Segundo relatório da PF, o ex-presidente recomendou ao filho que cessasse qualquer ataque ao ministro. “Esqueça qualquer crítica ao Gilmar”, teria dito Bolsonaro.

A fala reforçou a interpretação de que, mesmo em meio às tensões institucionais, a relação com Gilmar Mendes é vista como estratégica para o campo bolsonarista, que tenta manter abertos canais de interlocução no Supremo enquanto enfrenta múltiplas frentes de investigação.

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