O presidente em exercício da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj), deputado Guilherme Delaroli (PL), adotou um movimento de distensão e buscou diálogo com parlamentares da oposição. A iniciativa acontece depois que a manobra da base governista para tentar antecipar a eleição para presidência da Casa foi barrada pelo Tribunal de Justiça.
Na terça-feira (31), ele se reuniu com lideranças de diferentes partidos para explicar os motivos que levaram à articulação. Participaram do encontro os deputados Carlos Minc (PSB), Renata Souza (Psol), Elika Takimoto (PT), Dani Balbi (PCdoB) e Luiz Paulo (PSD). A presença do deputado Douglas Ruas (PL) no encontro também chamou atenção e surpreendeu os parlamentares.
Negociação após tensão
Durante a reunião, Delaroli apresentou justificativas para a tentativa de acelerar o processo eleitoral e pediu desculpas aos colegas. Segundo relatos, ele afirmou que havia um parecer da Procuradoria-Geral da Alerj recomendando a realização da eleição naquele momento.
Ainda de acordo com o presidente em exercício, esse entendimento jurídico levou ao cancelamento do colégio de líderes que estava previsto para a manhã do mesmo dia, quando seriam discutidos os ritos do pleito.
Delaroli também demonstrou incômodo com a reação de parte dos deputados, que classificaram a iniciativa como um “golpe”. Ele argumentou que sempre manteve disposição para o diálogo dentro da Casa.
Reação da oposição
Entre os parlamentares, a avaliação foi de que a tentativa de antecipação não se sustentava do ponto de vista regimental. Um deputado resumiu o sentimento do grupo ao afirmar: “Na verdade, eles tentaram justificar o injustificável. Viram que fizeram uma grande besteira e tiveram que recuar”.
Os oposicionistas também reforçaram que recorrer à Justiça foi a única alternativa possível para impedir a realização da eleição naquele momento. A decisão judicial acabou suspendendo o movimento articulado pela base governista.
Posição de Ruas e próximos passos
O deputado Douglas Ruas, que desponta como nome apoiado pelo governo para a presidência da Casa, também se manifestou durante a reunião. Ele afirmou ter sido surpreendido com os acontecimentos, mas avaliou que havia condições políticas para a realização da votação.
Ao final do encontro, Delaroli buscou encerrar o impasse ao assegurar que a eleição para a presidência da Alerj só será realizada após a conclusão do processo de cassação Rodrigo Bacellar pelo Tribunal Regional Eleitoral (TRE). A expectativa, segundo parlamentares, é que essa definição ocorra na primeira quinzena de abril.
Com isso, a condução do processo eleitoral na Assembleia passa a depender do desfecho judicial, enquanto a Casa tenta retomar um ambiente de maior estabilidade após dias de tensão política.






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