O número de crimes sexuais virtuais no Rio de Janeiro alcançou 290 registros apenas no primeiro trimestre de 2025. Desse total, 43 envolveram vítimas menores de idade. As estatísticas revelam ainda que 95% das vítimas são mulheres e que 15 casos tiveram como alvo crianças com menos de 14 anos.
A gravidade do cenário ganha ainda mais destaque diante de dados divulgados em agosto de 2024, que já apontavam um aumento de 1.200% nas ocorrências desse tipo entre 2018 e 2024. A diferença é que, agora, os levantamentos passam a detalhar a idade das vítimas, evidenciando o impacto direto sobre adolescentes e crianças.
Caso em Guaratiba
Entre os episódios recentes, um dos que mais chamou a atenção ocorreu em janeiro deste ano em Guaratiba, na Zona Oeste da cidade. Um homem foi preso por posse de material pornográfico envolvendo uma adolescente de 14 anos, com quem mantinha relacionamento desde que ela tinha 12.
Durante a investigação, a Delegacia da Criança e do Adolescente Vítima descobriu que o casal divulgava e vendia imagens íntimas da jovem em rifas virtuais no aplicativo Telegram. De acordo com a apuração, apenas um dos grupos monitorados na plataforma reunia cerca de 500 usuários.
Além disso, a adolescente passou a gravar e comercializar vídeos de sexo explícito com o namorado, maior de idade. Ambos são investigados pela divulgação e venda do material. Apesar da prisão em flagrante do rapaz no início do ano, ele acabou sendo solto em fevereiro, e o caso segue sob análise da Polícia Civil. A jovem, segundo as autoridades, teve um filho com o investigado.
Vítimas cada vez mais jovens
Entre as 43 ocorrências registradas no primeiro trimestre de 2025 envolvendo menores, 15 foram contra crianças com menos de 14 anos. No total, 41 vítimas eram mulheres. Esses números reforçam a vulnerabilidade de meninas diante da disseminação de conteúdos íntimos pela internet, muitas vezes associados a práticas criminosas de exploração digital.
As autoridades destacam que a simples divulgação de imagens de nudez de menores de idade já constitui crime, tanto para quem compartilha quanto para quem consome esse tipo de conteúdo.






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