Fruto pequeno, adocicado, redondo, de coloração verde e casca fina, a sorva, alimento da região amazônica, foi o fruto ingerido por Glaucon e Gleison, irmãos de 7 e 9 anos de idade que passaram 27 dias perdidos na floresta, em Manicoré, a 390 quilômetros de Manaus.

Os irmãos desapareceram em 18 de fevereiro, quando foram caçar pássaros na mata e não retornaram.
Após serem encontrados, contaram que não ficaram sem comer porque se alimentaram do frutinho todos os dias.
A agricultora Rosinete da Silva Carvalho, mãe das crianças, contou a conversa que teve com as crianças sobre como elas sobreviveram na floresta:
“Eu perguntei ‘meu filho vocês não comeram nada?’ Ele me disse: ‘a gente comeu sorva, mãe’. Os meninos sempre comiam sorva porque meu filho mais velho pegava quando ia caçar e sempre que via trazia uma saca pra eles. Então eram acostumados com a sorva”
A nutricionista e autora do livro Frutos Amazônicos, publicado pelo Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), Fabiana Neves, afirma que a fruta, apesar de saborosa, é difícil de ser encontrada nas feiras.
“Algumas pessoas não gostam de consumir a casca dela pela presença do látex, que quando a gente mastiga passa uma sensação igual a de chiclete, assim como a jabuticaba. Mas ela também tem muitas propriedades e fibras alimentares. Algumas famílias ribeirinhas gostam de consumir essa fruta no café, no lanche e nos intervalos. Não costuma ser uma fruta consumida após o almoço porque tem muita fibra”, explica.
Historicamente, a sorva era um alimento usado por seringueiros que saíam para trabalhar na floresta sem levar nenhum alimento e fazia parte da nutrição diária desses trabalhadores.
Segundo o Ministério da Saúde, 100 gramas de sorva têm 358 kilocalorias, 30,4 g de carboidratos e 25,6 g de gorduras. A nutricionista Emanuela Souza, especialista em linha funcional integrativa, faz uma comparação com outras frutas regionais que têm o valor nutricional parecido com o da sorva, entre elas, o tucumã, o açaí e o buriti:
“A sorva tem um alto conteúdo de gordura e são ótimas fontes de energia, por conta do carboidrato, e tem bons teores de vitamina A”, explica Emanuela.






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