A Polícia Federal realiza a triagem do conteúdo extraído do celular do executivo Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, antes de encaminhar o material à CPMI do INSS. A filtragem busca separar exclusivamente informações relacionadas a operações de crédito consignado, foco das investigações no Congresso.
Segundo o presidente da comissão, Carlos Viana (Podemos-MG), a limitação foi determinada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça, que autorizou o compartilhamento das provas no último dia 20.
A expectativa é que os parlamentares tenham acesso ao material em cerca de uma semana. Vorcaro é apontado como peça central de um suposto esquema bilionário envolvendo fraudes, e o conteúdo do aparelho é acompanhado com preocupação por integrantes do STF e por congressistas.
Embate no STF
A decisão de Mendonça representou uma mudança no rumo do caso. Antes, o ministro Dias Toffoli havia restringido o compartilhamento das provas e determinado que o material permanecesse sob guarda do presidente do Senado, Davi Alcolumbre, que não integra a comissão.
Ao autorizar o envio à CPMI, Mendonça argumentou que o modelo constitucional prevê cooperação entre instituições na apuração de ilícitos e na proteção do interesse público.
Toffoli deixou a relatoria após a PF encaminhar ao presidente do STF, Edson Fachin, relatório apontando possíveis conexões entre Vorcaro e o ministro, o que poderia ensejar questionamentos sobre sua imparcialidade.
Pressão política
A CPMI se tornou um dos principais focos de tensão entre governo e oposição a menos de oito meses das eleições. Parlamentares ligados ao ex-presidente Jair Bolsonaro pressionam pela liberação integral do material.
A senadora Damares Alves (Republicanos-DF) criticou a demora e afirmou que a comissão “está lutando contra o tempo”.
O conteúdo do celular também teria contratos relevantes, incluindo acordo do Banco Master com escritório ligado à mulher do ministro Alexandre de Moraes, o que ampliou a repercussão política do caso.
Com a triagem em andamento, a liberação dos dados dependerá da conclusão da filtragem técnica pela PF, restrita às informações relacionadas ao crédito consignado investigado pela CPMI.






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