Corte de 96% em verbas entre 2023 e 2025 agrava crise das chuvas em Minas

Investimentos do governo Romeu Zema em prevenção caíram de R$ 135 milhões para R$ 6 milhões

As despesas do governo de Minas Gerais com infraestrutura de prevenção e resposta a desastres provocados por chuvas despencaram 96% em dois anos, passando de cerca de R$ 134,8 milhões em 2023 para R$ 5,8 milhões em 2025. Os dados constam no Portal da Transparência estadual e foram levantados a partir de rubricas relacionadas a ações de combate, mitigação e gestão de danos causados por temporais.

A redução ocorre no momento em que fortes chuvas atingem a Zona da Mata mineira e já deixaram ao menos 30 mortos, além de 39 desaparecidos. Equipes de resgate conseguiram salvar 208 pessoas com vida nas áreas afetadas.

Os investimentos incluem recursos voltados à gestão de desastres, recuperação de rodovias, atendimento emergencial e prevenção de eventos meteorológicos críticos, sob coordenação de setores como o Gabinete Militar, responsável pela Defesa Civil estadual.

Queda progressiva nos repasses

Depois do valor empenhado em 2023, os repasses caíram para R$ 41,1 milhões em 2024 e atingiram o menor patamar em 2025. Em 2026, nos dois primeiros meses do ano, apenas R$ 16,1 mil haviam sido destinados a ações de infraestrutura voltadas ao enfrentamento de temporais.

Os dados referentes ao primeiro mandato de Romeu Zema, entre 2019 e 2022, não estão disponíveis no Portal da Transparência. Procurado, o governo estadual não se manifestou até o fechamento da reportagem sobre os motivos da redução orçamentária.

Em meio à tragédia, o vice-governador Mateus Simões anunciou o envio de R$ 38 milhões para Juiz de Fora e R$ 8 milhões para Ubá, com o objetivo de reforçar as ações emergenciais e a reconstrução das áreas atingidas.

Ações emergenciais nas cidades afetadas

O governo estadual informou que equipes do Conselho Regional de Engenharia e Arquitetura serão deslocadas para mapear áreas de risco, enquanto técnicos da Companhia de Saneamento Básico de Minas Gerais e carretas com ajuda humanitária foram enviados para atendimento à população.

Durante visita à região, Romeu Zema afirmou ter determinado esforço máximo da Defesa Civil para o resgate de vítimas assim que tomou conhecimento da gravidade da situação.

No âmbito federal, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva reconheceu o estado de calamidade pública em Juiz de Fora e anunciou o envio de uma equipe da Força Nacional do SUS, além do reforço das ações da Defesa Civil Nacional.

Evacuação e alerta para novas chuvas

Com a previsão de novos temporais, a Defesa Civil determinou a evacuação total de 24 ruas em quatro bairros de Juiz de Fora — Três Moinhos, Vila Ideal, Esplanada e Paineiras — medida que deve retirar cerca de 600 famílias das áreas de risco.

A orientação inclui a desocupação imediata de vias com histórico de deslizamentos e alagamentos, enquanto equipes seguem em busca de desaparecidos e no atendimento aos desabrigados.

O cenário expõe a pressão sobre a estrutura de prevenção a desastres no estado, em meio ao aumento da frequência e intensidade dos eventos climáticos extremos.

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