Correria de última hora lota Mercadão de Madureira antes da Páscoa

Com preços mais altos, consumidores improvisam e buscam opções para não deixar a data passar

Na véspera da Páscoa, o movimento intenso marcou o Mercadão de Madureira, na Zona Norte do Rio, neste sábado (4). Consumidores deixaram para a última hora a compra de chocolates e lotaram os corredores em busca de preços mais acessíveis, diante da alta registrada nos produtos típicos da data.

Com carrinhos cheios e filas nas lojas, muitos clientes dividiram espaço entre itens prontos e ingredientes para produção caseira, estratégia adotada para reduzir gastos.

Alta dos preços pesa no bolso

Dados do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15), divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, mostram que os chocolates tiveram aumento significativo no último ano. No Rio, barras e bombons ficaram 26,66% mais caros, enquanto o chocolate em pó subiu 16,23%.

O encarecimento dos produtos também foi identificado em levantamento do Procon Carioca, que apontou variações de até 199,88% em itens vendidos pela internet, incluindo ovos de Páscoa e caixas de bombons.

Busca por alternativas

Diante dos preços elevados, parte dos consumidores optou por alternativas mais econômicas. As irmãs Karine e Karoline Silva foram ao Mercadão em busca de formas para produzir ovos de chocolate em casa.

“A gente está comprando as coisinhas para fazer os ovos para os nossos sobrinhos, vai ser a primeira vez. Até o momento, estamos achando os preços acessíveis, primeira vez comprando. Vai ser uma correria, vamos fazer quatro ovos”, disse Karine.

Já a empreendedora Natalia Moraes relatou dificuldades para manter a margem de lucro na venda de cestas e buquês de chocolate. “Os valores estão bem altinhos. Está bem salgado. Nas cestas não deu para lucrar muito, mas a gente conseguiu dar um jeito e estão vendendo bem”, afirmou.

Movimento nas lojas

O aumento da demanda também foi percebido por comerciantes do Mercadão. A gerente de uma loja de embalagens, Vanessa Costa, destacou a procura por itens utilizados na montagem de presentes.

“A loja está bem movimentada, estamos vendendo bastante embalagens, caixinhas, lacinhos, e saquinhos de presente – que as pessoas usam para colocar as caixinhas de bombom. O preço está quase a mesma coisa. Agora, no finalzinho, a gente abaixa um pouco, coloca em promoção e o pessoal vai levando”, disse.

Apesar do fluxo intenso, alguns vendedores relataram preocupação com o cenário econômico. O comerciante Nico Oliveira afirmou que o aumento nos custos tem impactado as vendas. “Trabalho aqui há mais de 20 anos. As vendas estão muito ruins e a tendência é piorar, não tem mais melhorias não. Do jeito que está, acho que não consigo vender bastante até a Páscoa. Esse ano está bem pior, certeza. Do jeito que está inflação, com aquela guerra lá fora…. até para comprar, está tudo mais caro. Até a bolsa que a gente comprava aumentou”, afirmou.

Promoções atraem consumidores

Mesmo com os preços elevados, promoções de última hora ajudaram a atrair clientes. Na loja Fonte dos Doces, filas se formaram ao longo do dia em busca de descontos.

O mototaxista Iuri Souza aproveitou as ofertas para comprar presentes. “É correria total, porque no último dia… sabe como é. Estou levando ovos para os sobrinhos, filho, afilhado. E os preços estão bacana demais. Os ovos estão saindo a R$ 30. Vale total enfrentar a fila”, disse.

A dona de casa Meire Gláucia também aproveitou a redução de preços. “Estou na correria. A gente sempre deixa para a última hora, não adianta. Tem a semana inteira, mas vem sempre no último dia. Os preços aqui estão bons. Estou levando ovo de Páscoa, barra de chocolate, um pouquinho de cada coisa. Tenho cinco filhos e quatro netos. Vou levar uma lembrancinha para cada um. No começo da semana, o ovo estava mais caro, não levamos, mas hoje está mais enconta, estamos conseguindo levar”, contou.

Já o desenvolvedor Vinícius Catarino optou por montar cestas com chocolates variados. “O ovo está muito caro, então a gente acaba comprando vários chocolates e faz uma cesta para distribuir para o pessoal da família. Fica mais em conta e a gente consegue dar bem mais chocolate”, explicou.

Tradição mantida

Apesar das alternativas, alguns consumidores mantiveram a tradição dos ovos de Páscoa. A dona de casa Simone de Oliveira disse que fez questão de comprar o item para o neto. “Vim comprar o ovo do meu pequenininho. O preço está ótimo, achei um por R$ 27. Eles capricharam no preço. Lá em casa todo mundo ganha chocolate, comprei caixa de bombom, mas o ovinho preferencial é para ele, meu único netinho”, afirmou.

Para a babá Andreia Cesário, o momento vai além do custo. “Estou na correria. Só dava para vir hoje mesmo e estou achando os preços um pouquinho salgados, ainda mais que é antes do quinto dia útil. Tenho duas, uma de 4 e outra de 2 anos. Eu acho que é mais a minha vontade de dar do que delas de receber”, disse. “Eu gosto de manter essa fantasia do Coelhinho da Páscoa, que é tão legal. Já existe tanta maldade por aí, o que custa acreditar em um coelhinho?”, completou.

Segundo o subgerente José Ferreira, a expectativa de vendas segue positiva. “Cada vez mais a gente trabalha para atender bem o cliente. Graças a Deus, nossas expectativas estão valendo a pena. Os preços estão ótimos, bem abaixo dos de outros lugares, até porque nossa venda geralmente sai em preço de atacado”, afirmou.

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