Corregedoria da Polícia Civil abre investigação contra Marcus Amim

Ex-chefe da instituição foi alvo de mandados de busca e apreensão na 6ª fase da Operação Unha e Carne

A Corregedoria-Geral da Polícia Civil instaurou uma investigação disciplinar contra o delegado Marcus Vinícius Amim, ex-secretário estadual da instituição, após ele ser alvo da sexta fase da Operação Unha e Carne, deflagrada pela Polícia Federal nesta terça-feira (7). A ação apura suspeitas de envolvimento de agentes públicos com grupos criminosos no estado.

Amim comandou a Polícia Civil fluminense entre outubro de 2023 e agosto de 2024. Sua nomeação ocorreu após uma mudança na legislação estadual aprovada pela Assembleia Legislativa do Rio (Alerj), que permitiu que delegados com menos de 15 anos de carreira pudessem ocupar o cargo de secretário da corporação.

Em nota, a Polícia Civil informou que acompanha as investigações e afirmou que não compactua com eventuais irregularidades cometidas por seus integrantes. Veja a íntegra:

A Corregedoria-Geral da Polícia Civil instaurou uma investigação disciplinar para apurar os fatos.

A Polícia Civil acompanha o caso de perto e reafirma que não compactua com eventuais desvios de conduta. A instituição mantém mecanismos de controle interno voltados à apuração de irregularidades e colabora com os demais órgãos sempre que necessário. O compromisso da corporação é com a legalidade, a transparência e a correta prestação do serviço público à sociedade.”

Agenda do Poder tenta contato com a defesa de Marcus Amim. O espaço está aberto para manifestação.

Operação investiga esquema bilionário

A ação investiga uma suposta organização criminosa que teria utilizado uma rede de postos de combustíveis para movimentar cerca de R$ 7,6 bilhões nos últimos seis anos.

Ao todo, foram cumpridos 19 mandados de busca e apreensão nos municípios de Niterói, São Gonçalo, Itaboraí e Resende, além da capital fluminense. A Justiça também determinou o sequestro de bens e valores e a suspensão das atividades econômicas de empresas ligadas ao grupo investigado.

Segundo a PF, os envolvidos podem responder por organização criminosa, lavagem de dinheiro e contratação direta ilegal, além de outros crimes que podem surgir durante o avanço das investigações.

Entre os alvos da operação também está o ex-prefeito de Belford Roxo e pré-candidato ao Senado pelo União Brasil, Márcio Canella, além do ex-PM e miliciano Juracy Alves Prudêncio, o Jura.

Trajetória de Marcus Amim na Polícia Civil

Marcus Vinícius Amim construiu carreira como delegado da Polícia Civil do Rio de Janeiro e ganhou destaque ao assumir o comando da instituição em 2023. Sua chegada ao cargo ocorreu em um momento de reformulação da segurança pública estadual.

Antes de ocupar a Secretaria de Polícia Civil, Amim já havia exercido funções de liderança na instituição. Sua escolha para o posto, porém, gerou debates porque ele ainda não possuía 15 anos de atividade como delegado — requisito tradicionalmente previsto para ocupar a função.

Para viabilizar a nomeação, a Alerj aprovou uma alteração na legislação estadual permitindo a indicação de delegados com menor tempo de carreira.

Em 2018, ainda antes de assumir o comando da corporação, Amim recebeu a Medalha Tiradentes, principal honraria concedida pela Assembleia Legislativa do Rio. A homenagem foi proposta pelo então deputado estadual Márcio Canella.

Investigação teve início após alerta do Coaf

As apurações da Polícia Federal começaram a partir de um relatório de inteligência financeira produzido pelo Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf).

O documento apontou movimentações consideradas suspeitas envolvendo empresas e pessoas ligadas ao esquema investigado. A PF afirma que as suspeitas envolvem uma estrutura de lavagem de dinheiro com participação de agentes públicos e empresários.

A operação faz parte de uma série de investigações relacionadas à ADPF 635, conhecida como “ADPF das Favelas”, em que o Supremo Tribunal Federal determinou medidas para ampliar o controle sobre ações policiais e investigar possíveis relações entre integrantes do Estado e organizações criminosas.

Histórico da Operação Unha e Carne

A operação teve início em dezembro de 2025, inicialmente para investigar um suposto vazamento de informações sigilosas de ações policiais contra o Comando Vermelho (CV).

A primeira fase teve como alvo o então presidente da Alerj, deputado Rodrigo Bacellar, acusado pela PF de ter recebido informações sobre uma operação contra integrantes da facção criminosa. As investigações também envolveram o ex-deputado Thiego Raimundo de Oliveira Santos, o TH Joias.

Nas fases seguintes, a PF ampliou o foco das investigações, passando a apurar suspeitas envolvendo integrantes do Judiciário, políticos, empresários e agentes públicos.

A sexta fase, que atingiu Marcus Amim, passou a investigar uma possível estrutura envolvendo lavagem de dinheiro por meio do setor de combustíveis e suposta proteção institucional a atividades criminosas.

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