COP28: Lula diz que ‘planeta está farto de acordos climáticos não cumpridos’ e cobra dos países ricos ‘atitudes concretas’ (vídeo)

O presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), afirmou nesta sexta-feira que “o planeta está farto de acordos climáticos não cumpridos” e defendeu a retomada do multilaterialismo para a aceleração do cumprimento das metas de descarbonização da economia. Em discurso proferido na sessão de abertura da COP28, em Dubai, Lula destacou que 2023 já…

O presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), afirmou nesta sexta-feira que “o planeta está farto de acordos climáticos não cumpridos” e defendeu a retomada do multilaterialismo para a aceleração do cumprimento das metas de descarbonização da economia. Em discurso proferido na sessão de abertura da COP28, em Dubai, Lula destacou que 2023 já é o mais quente dos últimos 125 mil anos e citou efeitos da crise climática em biomas nacionais como exemplo da urgência.

— No Norte do Brasil, a Amazônia amarga uma das mais trágicas secas de sua história. No Sul, tempestades e ciclones deixam um rastro inédito de destruição e morte. A ciência e a realidade nos mostram que desta vez a conta chegou antes. O planeta está farto de acordos climáticos não cumpridos, de metas de redução de emissão de carbono negligenciadas. Do auxílio financeiro aos países pobres que não chega. De discursos eloquentes e vazios. Precisamos de atitudes concretas — declarou Lula, diante de cerca de 140 líderes internacionais.

Lula recordou que, em 2009, quando participou da COP15, em Copenhague, “as negociações fracassaram” e exigiram “um grande esforço para recuperar a confiança” até a elaboração do Acordo de Paris, seis anos depois. O presidente brasileiro ponderou que o não cumprimento dos compromissos assumidos naquela ocasião “corroeu a credibilidade do regime” e pôs em dúvida a disposição dos governantes em atingir as metas combinadas.

— Quantos líderes mundiais estão de fato comprometidos em salvar o planeta? Somente no ano passado, o mundo gastou mais de US$ 2 trilhões de dólares em armas. Quantia que poderia ser investida no combate à fome e no enfrentamento da mudança climática. Quantas toneladas de carbono são emitidas pelos mísseis que cruzam o céu e desabam sobre civis inocentes, sobretudo crianças famintas? — questionou Lula, que classificou como “lamentável” a não implementação de acordos como o Protocolo de Kyoto, em 1997. — Os governantes não podem se eximir de suas responsabilidades.

No discurso, Lula apontou que a humanidade tem sofrido com secas, enchentes e ondas de calor “cada vez mais extremas e frequentes”. No entanto, ressaltou que os efeitos da crise climática afetam desproporcionalmente os mais vulneráveis.

— A conta da mudança climática não é a mesma para todos. E chegou primeiro para as populações mais pobres. O 1% mais rico do planeta emite o mesmo volume de carbono que 66% da população mundial. Trabalhadores do campo, que têm suas lavouras de subsistência devastadas pela seca, e já não podem alimentar suas famílias. Moradores das periferias das grandes cidades, que perdem o pouco que têm quando a enchente arrasta tudo: casas, móveis, animais de estimação e filhos. A injustiça que penaliza as gerações mais jovens é apenas uma das faces das desigualdades que nos afligem. Não é possível enfrentar a mudança do clima sem combater as desigualdades — disse.

À plateia da COP28, Lula disse que o Brasil “está disposto a liderar pelo exemplo”. Prometeu zerar o desmatamento da Amazônia até 2030 e fomentar a industrialização verde agricultura de baixo carbono e a bioeconomia, com impulso às fontes renováveis de energia.

— É hora de enfrentar o debate sobre o ritmo lento da descarbonização do planeta e trabalhar por uma economia menos dependente de combustíveis fósseis. Temos de fazê-lo de forma urgente e justa — destacou.

Com informações do GLOBO.

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