O texto final da COP-30, batizado de “Decisão Mutirão”, foi divulgado após uma madrugada de negociações em Belém. A proposta de criar um roteiro global para encerrar o uso de combustíveis fósseis, defendida por cerca de 80 países, ficou fora do documento, frustrando ambientalistas e especialistas em clima. Brasil e ONU estavam entre os defensores da inclusão. A resistência veio principalmente de países árabes liderados pela Arábia Saudita, além da Rússia.
Expectativa por avanços na Amazônia
Apesar da realização da cúpula no “coração da Amazônia”, o texto se limita a mencionar o combate ao desmatamento sem estabelecer metas ou um plano detalhado, frustrando países e organizações que esperavam decisões mais firmes.
Críticas de organizações ambientais
O Greenpeace afirmou que o documento não responde à gravidade da crise climática e deixa de apresentar caminhos concretos tanto para a transição energética quanto para o fim do desmatamento até 2030. Cientistas como Carlos Nobre e Johan Rockström reforçaram que zerar a dependência de combustíveis fósseis até 2040 é essencial para evitar o agravamento do aquecimento global.
Adaptação climática avança, mas ainda divide países
Um dos principais pontos positivos do acordo é a recomendação para triplicar os recursos destinados à adaptação climática até 2035. A medida atende em parte a países em desenvolvimento, que enfrentam eventos extremos cada vez mais graves. No entanto, especialistas destacam que o prazo é longo e que os recursos deveriam ser ampliados até 2030.
Indicadores globais de adaptação
O texto estabelece parâmetros para medir avanços na adaptação, incluindo indicadores de saúde, saneamento, acesso à água e capacitação climática. Esses indicadores poderão ser revisados nos próximos dois anos.
Financiamento climático segue indefinido
A COP-30 criou um grupo de trabalho de dois anos para discutir financiamento climático. A decisão reduz o prazo inicialmente proposto, mas amplia o escopo para incluir capital privado, ponto criticado por países mais pobres. O texto mantém a meta já acordada de mobilizar US$ 300 bilhões por ano até 2035, valor considerado insuficiente por nações em desenvolvimento.
Reconhecimento inédito dos povos indígenas
A maior vitória da conferência foi a inclusão inédita e central do papel dos povos indígenas na mitigação da crise climática. O documento destaca a importância de seus territórios, conhecimentos tradicionais e direitos, valorizando sua participação em políticas de longo prazo.
Protagonismo nas manifestações
Ao longo do evento, indígenas organizaram grandes protestos por demarcação de terras e contra grandes empreendimentos na Amazônia. Em um episódio marcante, um grupo entrou na zona azul da ONU, pressionando negociadores. Após mobilizações, representantes foram recebidos pelo presidente da COP-30 e pelo presidente Lula.
Negociações tensas até o último minuto
As discussões se estenderam madrugada adentro, com a União Europeia pressionando por maior ambição na transição energética, mas sem aceitar expandir compromissos financeiros. Após intensas conversas, a UE aceitou o texto por entender que, apesar das limitações, ele indica “a direção certa”.






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