O coordenador da campanha de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em São Paulo, o advogado Marco Aurélio de Carvalho, afirmou ser contrário à participação do presidente no debate da TV Globo marcado para quinta-feira (1º), três dias antes do primeiro turno das eleições presidenciais.
Carvalho justificou a posição com críticas a Flávio Bolsonaro (PL), principal adversário de Lula nas pesquisas. O senador confirmou no domingo (27) que participará do programa mesmo se o presidente decidir não comparecer.
“Não vejo sentido em ele debater com miliciano no primeiro turno”, afirmou Carvalho à coluna de Letícia Casado, do portal UOL.
Até agora, Lula e Flávio não participaram dos debates realizados durante a campanha presidencial. A decisão sobre a presença do petista no último confronto antes da votação ganhou importância na reta final da disputa, diante dos resultados recentes das pesquisas eleitorais.
Coordenador diz que Lula já apresentou propostas
Na avaliação de Carvalho, Lula já participou de sabatinas e concedeu entrevistas a veículos internacionais durante a campanha. O coordenador também argumenta que o presidente apresentou seu programa de governo e que sua trajetória política já é conhecida pelos eleitores.
Ao defender que Lula não participe do debate no primeiro turno, Carvalho voltou a fazer críticas diretas a Flávio Bolsonaro.
“Se a população escolher Flávio Bolsonaro para o segundo turno, Lula vai ter que se submeter a esse constrangimento. De um lado, temos um chefe de estado respeitado ao redor do mundo, e de outro temos um miliciano pior que o pai [o ex-presidente Jair Bolsonaro]”, disse Carvalho.
As referências de Carvalho a Flávio como “miliciano” são declarações políticas do coordenador da campanha e não uma caracterização adotada por esta reportagem.
O advogado também fez uma comparação com a eleição presidencial de 2022, quando Lula participou de debates que tiveram entre os candidatos Padre Kelmon, então filiado ao PTB.
Segundo Carvalho, naquela campanha Lula precisou enfrentar a “cena constrangedora de debater com padre de quermesse”.
Padre Kelmon concorreu à Presidência em 2022 e, neste ano, disputa uma vaga de deputado federal por São Paulo pelo PL, partido de Flávio Bolsonaro.
Flávio confirma presença mesmo sem Lula
Flávio afirmou no domingo que estará no debate da Globo independentemente da decisão do presidente. Durante agenda em Goiânia, o candidato do PL disse considerar Lula seu principal adversário na eleição e afirmou querer confrontá-lo diretamente no programa.
O debate está previsto para quinta-feira (1º). A ausência dos dois candidatos nos confrontos anteriores marcou a campanha de 2026. Segundo levantamento da Folha de S.Paulo, esta eleição caminha para registrar o menor número de debates presidenciais desde 1998.
Declaração sobre CNBB também provoca críticas
Carvalho também reagiu às declarações feitas por Flávio Bolsonaro sobre a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB). O candidato do PL afirmou, sem apresentar provas, que “gente de dentro da CNBB” teria articulado com o PT a disseminação de informações falsas relacionadas à polêmica sobre Nossa Senhora Aparecida.
A CNBB repudiou a acusação, negou participação na divulgação de informações falsas sobre as eleições e afirmou que “mentira não se combate com outra mentira”.
Carvalho voltou a atacar Flávio ao comentar o episódio:
“Foi muito grave essa fala e revela o quanto ele é autoritário. Ele realmente estava tentando trazer a ideia de que era ‘o melhor dos Bolsonaro’, como fala sua propaganda. Mas muito longe disso: ele consegue ser mais bandido do que o próprio pai”, disse Carvalho.
As expressões usadas pelo coordenador constituem críticas e acusações políticas feitas por ele contra o candidato do PL. A CNBB, por sua vez, afirmou que não integra estrutura político-partidária, de partido ou candidatura e cobrou fatos e provas para sustentar a acusação feita por Flávio.







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