Congresso tende a abandonar Brazão, mas ignora enfrentamento ao crime no Rio de Janeiro

Segundo essas análises, o Estado do Rio pode se tornar um centro de criminalidade semelhante a países como Colômbia e México

Especialistas afirmam que o Congresso Nacional tende a abandonar o deputado federal Chiquinho Brazão (sem partido-RJ), um dos presos pela Polícia Federal no último domingo (24) por suspeita de ser um dos mandantes da vereadora Marielle Franco (PSOL-RJ). Ele passou a ser considerado um elemento tóxico. No entanto, segundo essas avaliações, os parlamentares provavelmente não tomarão medidas eficazes para lidar com a crise de segurança no Rio de Janeiro, o que pode ter repercussões em todo o país.

André Pereira César, cientista político, argumenta que o envolvimento de Brazão no caso reflete a profundidade da corrupção no Rio de Janeiro, com conexões entre políticos, milícias, narcotraficantes e grupos religiosos. Ele alerta para o risco de o estado se tornar um centro de criminalidade semelhante a países como Colômbia e México.

Para José Cláudio Souza Alves, sociólogo especializado em violência urbana, a situação no Rio de Janeiro representa uma ameaça à segurança pública, com a fusão entre agentes do Estado e criminosos. Ele destaca que a maioria dos casos semelhantes não recebe a mesma atenção da mídia como o de Marielle Franco.

Ambos concordam que Brazão enfrentará isolamento político e possivelmente a cassação de seu mandato. Porém, preveem que após o desfecho do caso Marielle, tanto o Congresso quanto os governos podem retomar sua inação em relação à segurança pública, não só no Rio de Janeiro, mas em todo o país.

Embora reconheçam a necessidade de esforços conjuntos para combater o crime organizado, os especialistas acreditam que a atual conjuntura política não está disposta a enfrentar essa questão de maneira eficaz. Alves ressalta os desafios enfrentados pelos agentes envolvidos, que teriam que confrontar as estruturas de poder das milícias locais.

Mesmo diante da provável queda de Brazão, os especialistas alertam que a política tende a preencher o vácuo de poder que se abrirá, sem resolver os problemas subjacentes. O enfrentamento ao crime organizado requer um compromisso político e social muito além do que a atual situação política permite.

Com informações de Congresso em Foco

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