A aprovação do nome do vice-governador Thiago Pampolha para ocupar uma vaga no Tribunal de Contas do Estado (TCE), pelos deputados da Assembleia Legislativa (Alerj), é a pavimentação do caminho que o presidente da Casa, Rodrigo Bacellar (União Brasil), vai começar a percorrer visando sua candidatura ao governo do estado em 2026.
Na prática, essa confirmação pode ser entendida como o início da campanha de Bacellar, que deverá ganhar contornos mais definidos a partir do próximo ano, quando o atual governador Cláudio Castro deverá renunciar para disputar uma cadeira no Senado Federal, conforme acordo firmado entre as lideranças.
Para a oposição, esse movimento consolida o que chamaram de “acordão”, desenhando um cenário político polarizado para as eleições de 2026 no Rio de Janeiro. De um lado, Rodrigo Bacellar representará o bolsonarismo; do outro, o prefeito Eduardo Paes, cuja candidatura deve contar com o apoio do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, embora Paes seja apontado por alguns como uma opção de centro-direita.
O deputado Flávio Serafini (Psol) declarou que “indicado seu vice para o cargo de conselheiro, o governador Cláudio Castro quer transformar o TCE num puxadinho do seu governo”. É por isso que as contas do governo nunca são reprovadas”. Já a deputada Renata Souza (Psol) afirmou que “agora Castro tem caminho livre para o Senado. A trama é aparelhar as instituições com a extrema direita. Uma negociata imoral eleitoreira”.
Independentemente das controvérsias, as articulações políticas vão tomando forma. O líder do PSD na Alerj, deputado Luiz Paulo, explicou o processo eleitoral que pode ocorrer a partir do próximo ano: “Como Cláudio Castro já está no terceiro ano do governo, pela lei eleitoral, a Alerj elege o governador em caso de renúncia. Neste caso, o nome de Bacellar seria apreciado pelos 70 deputados em votação fechada. Vagando a presidência da Alerj, passados 30 dias, uma nova eleição escolherá a Mesa Diretora”, explica.
Articulações em andamento
Há quem diga, contudo, que Cláudio Castro deixaria o governo no início de 2026 para que Bacellar assumisse o posto. Desta forma, o primeiro vice-presidente, Guilherme Delarolli (PL), organizaria um mandato-tampão para que o futuro presidente conduzisse os trabalhos até o fim do ano. A eleição efetiva ocorreria apenas em fevereiro de 2027, já com a Casa renovada pelo pleito de outubro.
Hoje, os nomes cotados para ocupar a presidência da Alerj são os dos deputados Douglas Ruas (PL) e Chico Machado (Solidariedade). Assim, a confirmação de Thiago Pampolha no TCE representa não apenas uma mudança institucional, mas uma estratégia política do atual grupo no poder para o próximo ano, com reflexos claros na disputa pelo governo do Rio de Janeiro.





