Comandante da PM em SP afasta 52 criminosos da corporação e passa a ser ameaçado por bolsonaristas e atacado por uma deputada

O coronel Renato Nery Machado, comandante do Policiamento do Interior-2 (Campinas), sofreu ameaças e se tornou alvo de campanha de perfis bolsonaristas nas redes sociais e de críticas na Assembleia Legislativa por afastar 52 policiais de dois batalhões da região. Segundo o Estadão, o coronel tomou a decisão após a prisão de 11 integrantes do…

O coronel Renato Nery Machado, comandante do Policiamento do Interior-2 (Campinas), sofreu ameaças e se tornou alvo de campanha de perfis bolsonaristas nas redes sociais e de críticas na Assembleia Legislativa por afastar 52 policiais de dois batalhões da região.

Segundo o Estadão, o coronel tomou a decisão após a prisão de 11 integrantes do 35.º BPM/I e do 1.º Batalhão de Ações especiais da Polícia (Baep), acusados de montar um grupo responsável por assassinatos de supostos bandidos e até de inocentes, além de desvios de dinheiro, armas e drogas.

A investigação que levou aos ataques ao coronel começou em 26 de fevereiro de 2021, quando um informante do 1.º Baep participou de uma ação dos PMS que terminou na morte de um empresário e na tortura da mulher da vítima.

Os policiais procuravam drogas e suspeitavam que o casal traficasse. Diante da confusão, o informante Artur Donizetti Devecchi Junior se tornou uma testemunha incômoda. Temendo ser morto, procurou a Corregedoria da PM e fez um acordo de delação premiada.

Começava assim a investigação do maior escândalo da história da PM de Campinas, expondo uma banda podre responsável por diversos crimes. Devecchi Junior contou que recebia dinheiro dos policiais para denunciar bandidos a dois batalhões: o 1.º Baep e o 35.º BPM/I.

Diz o Ministério Público na denúncia: “Durante as investigações, descobriu-se que Policiais Militares atuaram de forma organizada, com o intuito de cometerem homicídios, de forma reiterada, de civis supostamente criminosos, simulando confrontos armados”.

Os PMS exigiriam propinas de traficantes, desviaram dinheiro apreendido e transportavam armas frias nos carros para fraudar ocorrências. Ao descobrirem a delação, abordaram o informante. A promotoria descreveu o encontro. “Um dos policiais alertou para o fato de ter ‘caguetado’ os policiais do Baep, afirmando que iria morrer como ‘cagueta’, na cadeia. O policial disse ao informante que ia ‘entregá-lo para os irmãos do Partido (PCC)’ e que, se o próprio policial não o matasse, os ‘irmãos do Partido’ iriam matá-lo.”

Quando soube do caso, o coronel Nery Machado ficou indignado. Ele, que assumira o comando em março, reuniu seus oficiais e disse: “Eu entrei na polícia pra ser polícia, não pra ser bandido (…) Vou passar a régua nos dois batalhões (35.º Batalhão e Baep). Vou propor ao subcomandante a movimentação de vários de vocês. (…) Isso aqui não é um grupo de oficiais, é um bando. E se alguém estiver gravando, pode gravar. Isso é um bando; e esse bando criou uma quadrilha”.

A bronca do coronel foi gravada. Um vídeo editado foi distribuído por bolsonaristas nas redes e por parte da bancada da bala na Assembleia, que defenderam os PMS acusados. Perfis bolsonaristas chamaram a reação de Nery de “repugnante” e falaram que está “desgraçando a vida dos guerreiros verdadeiros”. “Você (Nery) é falso moralista. Quero ver se você é ‘bravão’ assim com ladrão. Aliás, já matou um ladrãozinho nesses 30 anos de m.. de serviço?”

O caso chegou à Assembleia dia 16. Foi a deputada estadual Adriana Borgo (Pros), da bancada da bala e apoiadora de Jair Bolsonaro (PL), quem subiu à tribuna para atacar Nery. “Não podia deixar de expressar minha indignação ao coronel Nery, que teve um problema lá na unidade com alguns policiais, que não se sabe quais, uma caguetagem de um sem-vergonha, de um porcaria de um mala (malandro), e começou o inferno astral na vida dos policiais.”

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