A Petrobras elevou em aproximadamente 55% o preço médio de venda do querosene de aviação (QAV) para distribuidoras em abril, segundo informações divulgadas pela agência Reuters. O reajuste, caso confirmado oficialmente, ocorre em um momento de forte volatilidade no mercado internacional de petróleo e tende a ampliar a pressão sobre o setor aéreo brasileiro.
Os ajustes no preço do QAV fazem parte de uma política contratual da estatal e são realizados no início de cada mês. Procurada, a Petrobras ainda não havia se manifestado até a última atualização.
Alta acompanha cenário internacional
O aumento está diretamente ligado à valorização do petróleo no mercado global, impulsionada pela guerra envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã.
Desde o início do conflito, o barril do tipo petróleo Brent saltou de cerca de US$ 60 para mais de US$ 115, movimento que pode resultar na maior alta mensal desde 1990. Apesar disso, nesta quarta-feira (1º), o preço registrava leve recuo, sendo negociado a US$ 102,10, após ter fechado o dia anterior em US$ 103,97.
A oscilação reflete a sensibilidade do mercado às expectativas em torno do conflito e à possibilidade de mudanças no fornecimento global de energia.
Impacto direto nas companhias aéreas
O aumento do QAV foi antecipado pelo Grupo Abra, que informou que o reajuste passaria a valer a partir desta quarta-feira (1º). A medida deve afetar diretamente os custos operacionais das companhias aéreas.
No Brasil, o querosene de aviação representa mais de 30% das despesas do setor, sendo um dos principais componentes da estrutura de custos das empresas. Com isso, qualquer variação significativa tende a impactar tarifas, margens e planejamento financeiro.
A pressão ocorre em um momento delicado para o setor, especialmente para empresas como Gol Linhas Aéreas e Azul Linhas Aéreas, que ainda enfrentam os efeitos de processos recentes de reestruturação de dívidas.
Dependência do mercado nacional
A Petrobras responde pela maior parte da produção e refino de combustíveis no país, incluindo o querosene de aviação. Essa posição dominante faz com que seus reajustes tenham impacto direto e imediato sobre todo o setor aéreo nacional.
Além disso, o mercado brasileiro é fortemente influenciado pelas variações internacionais do petróleo, o que torna o custo do QAV sensível a eventos geopolíticos, como conflitos armados e bloqueios de rotas estratégicas.
Perspectivas e incertezas
Com o cenário internacional ainda indefinido, especialistas apontam que a tendência é de manutenção da volatilidade nos preços do petróleo e, consequentemente, nos combustíveis derivados.
Caso a escalada do conflito persista ou haja interrupções mais severas no fornecimento global, novos reajustes não estão descartados. Por outro lado, eventuais sinais de trégua podem trazer algum alívio ao mercado.
Enquanto isso, companhias aéreas monitoram o cenário com cautela, avaliando possíveis ajustes operacionais e estratégias para mitigar os impactos do aumento dos custos.






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