Com o fim da trégua entre EUA e Irã, petróleo dispara e sobe mais de 6%

Escalada das tensões no Oriente Médio impulsiona Brent e WTI; preocupações com o abastecimento global de energia e a segurança no Estreito de Ormuz retornam à pauta

Os preços internacionais do petróleo registraram forte alta nesta quarta-feira (8), após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarar que considera encerrado o cessar-fogo provisório firmado com o Irã. A nova deterioração das relações entre os dois países elevou os temores de uma escalada militar em uma das principais regiões produtoras de petróleo do mundo e provocou reação imediata nos mercados.

Por volta das 7h, o barril do Brent, referência internacional, era negociado a US$ 78,83, com valorização de 6,3%. Já o WTI, referência no mercado estadunidense, subia 6,29%, cotado a US$ 74,87.

O movimento ocorre após uma sequência de ataques entre forças dos EUA e iranianas, que aumentou as preocupações sobre possíveis impactos na produção e no transporte global de petróleo.

Declarações de Trump ampliam tensão

Durante uma coletiva de imprensa realizada em Ancara, na Turquia, Donald Trump afirmou que o entendimento firmado entre Washington e Teerã perdeu validade e demonstrou descrença na continuidade das negociações.

Segundo o presidente estadunidense, ele não pretende mais negociar diretamente com o governo iraniano, embora tenha afirmado que os representantes diplomáticos dos Estados Unidos continuarão autorizados a manter conversas com Teerã.

Trump declarou que considera essas negociações improdutivas e afirmou que, em sua avaliação, os iranianos “estão perdendo tempo”.

As declarações foram feitas poucas horas depois da intensificação das ações militares entre os dois países.

Ataques reacendem temor sobre oferta mundial

Durante a madrugada, forças estadunidenses concluíram bombardeios contra mais de 80 alvos no Irã.

A ofensiva ocorreu após o governo iraniano realizar, no dia anterior, ataques contra três embarcações comerciais que navegavam na região do Estreito de Ormuz. Entre os alvos estavam um navio transportador de gás natural liquefeito do Catar e dois grandes petroleiros.

Segundo informações divulgadas pelas autoridades, foi o maior número de ataques registrados em um único dia desde que o cessar-fogo provisório entrou em vigor, em junho.

A retomada dos confrontos aumentou as incertezas sobre o fluxo de petróleo na região e levou investidores a precificarem um possível impacto na oferta global da commodity.

Estreito de Ormuz volta ao centro das preocupações

O novo cenário também reacendeu as atenções para o Estreito de Ormuz, considerado um dos corredores marítimos mais estratégicos do planeta para o transporte de petróleo.

A passagem conecta os principais produtores da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep), localizados no Golfo Pérsico, aos mercados consumidores da Ásia, Europa e América.

Mesmo durante o período de cessar-fogo, o Irã manteve uma postura de pressão sobre a hidrovia.

Na terça-feira, Teerã informou à agência das Nações Unidas responsável pelo transporte marítimo que considera ter autoridade para controlar partes do estreito e reiterou que embarcações que cruzam a região sem autorização iraniana não estariam realizando travessias válidas.

Esse cenário aumenta a preocupação de armadores, companhias de navegação e produtores de petróleo, que podem rever rotas e estratégias logísticas caso o conflito continue se intensificando.

Mercado teme nova crise energética

A valorização do petróleo representa uma reversão do movimento observado durante o segundo trimestre, quando os contratos futuros recuaram diante da redução das tensões geopolíticas no Oriente Médio.

Agora, a possibilidade de novos ataques e de interrupções nas exportações da região volta a pressionar os preços da commodity e amplia o risco de uma nova onda de instabilidade no mercado internacional de energia.

Para Giovanni Staunovo, analista de commodities do UBS Group AG, o principal fator de sustentação dos preços é justamente o receio de que o conflito comprometa o fornecimento de petróleo.

“A retomada das tensões no Oriente Médio e as preocupações de que os ataques contra embarcações possam reduzir as exportações de petróleo da região estão sustentando os preços”, afirmou.

Revogação de isenção amplia incerteza

Antes da intensificação dos ataques, o Departamento do Tesouro dos Estados Unidos havia revogado uma isenção de sanções que permitia ao Irã comercializar petróleo no mercado internacional.

A medida desfaz um dos principais pontos do acordo provisório firmado entre os dois países e aumenta a incerteza sobre a oferta global da commodity.

Nas últimas semanas, a flexibilização das sanções havia permitido que milhões de barris de petróleo iraniano chegassem ao mercado internacional por meio do Golfo Pérsico. Com a revogação da autorização e a retomada dos confrontos militares, parte significativa desse volume volta a ficar sob risco, reforçando a volatilidade dos preços e as preocupações com o abastecimento mundial.

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