Enquanto pais e filhos se reúnem em pontos de troca de figurinhas nos shoppings e condomínios, psicólogos avaliam os benefícios e os pontos de atenção da mania nacional do álbum da Copa do Mundo de 2026.
Terapeuta comportamental especializado na orientação de pais, o psicólogo Rafael Baptista Melo avalia a prática como uma oportunidade de desenvolvimento de habilidades sociais.
“Quando a criança ou o adolescente tenta explicar por que uma figurinha vale mais ou descobre que nem sempre a figurinha desejada vem no pacote, há um aprendizado de tolerância, frustração e convivência social”, analisa.
Uma experiência que tem propiciado aproximação, construção de memórias afetivas e também aprendizados na relação entre o professor de dança Saulo Galdino Ferreira, 44, e o seu filho Noah, 9.
Saulo participa de grupos de WhatsApp para ajudar a encontrar o que falta para completar o álbum. Já o filho recebeu a “missão” de administrar a própria mesada para comprar pacotes de figurinhas.
“Com isso, ele passa a ter noção de valores e também se conscientiza em relação às prioridades. Cada figurinha conquistada, é como se fosse um gol da Seleção Brasileira. É vibração, risada e muita diversão. A Copa me deu a oportunidade de fazer com o meu filho o que não consegui fazer com o meu pai”, diz.
O psicólogo Maxwell Luis Costa elogia esse tipo de atitude, capaz de conciliar diversão com aprendizado. “A compra das figurinhas também pode ser um ato de busca por responsabilidade financeira para o filho com o controle do gasto da mesada. E, também, uma oportunidade de criar conexão com os pais”, diz.
Contudo, o terapeuta Rafael Baptista Melo alerta para o risco de superproteção. “Existe uma diferença importante entre fazer pela criança e fazer com a criança. Quando os adultos assumem todo o controle, oportunidades de autonomia se perdem. Ao tentar proteger os filhos de qualquer desconforto, podemos impedir que eles desenvolvam recursos para a vida real”.
No caso da professora de inglês Marina Mendonça Macedo, 28, o álbum da Copa faz parte de uma tradição passada de mãe para filho, já que ela também fazia a coleção com os seus pais quando era criança.
Como seu filho Joaquim tem apenas três meses, ela pretende completar o álbum da Copa de 2026 para que sirva de recordação quando o filho já puder fazer a coleção.
“Ele não vai lembrar disso, mas é uma tradição que quero passar adiante para que ele também possa ter essas recordações, como eu tive”, diz.
“Entre Copas e figurinhas, podemos promover o desenvolvimento dos nossos filhos. Talvez a criança não se lembre de quantas figurinhas completou, mas pode se lembrar de quem acolheu suas frustrações, celebrou suas conquistas e viveu o processo com ela”, diz o terapeuta Rafael Batista Melo.





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