O presidente Jair Bolsonaro (PL), copiando o discurso usado pelos militares para justificar o golpe de 1964, que acabou com a liberdade no Brasil por 21 anos, defendeu nesta terça-feira o uso de armas de fogo para garantir a democracia no País.
Tenta repetir como farsa a história da tragédia de deposição do governo democrático de João Goulart, apeado do poder por militares golpista que diziam defender a democracia:
“A arma de fogo, além de segurança para as famílias, é segurança para nossa soberania nacional e a garantia de que a nossa democracia será preservada. Não interessa os meios que um dia porventura tenhamos que usar. Nossa democracia e nossa liberdade são inegociáveis”, afirmou em tom de ameaça.
A declaração foi feita na inauguração de trechos da BR-101/SE, em Propriá (SE), e no momento em que o presidente, pré-candidato a um novo mandato, é acusado por opositores de preparar seu discurso para tentar “melar” as eleições deste ano em caso de derrota nas urnas.
No mesmo discurso, Bolsonaro fez um novo aceno a profissionais da segurança pública, que pressionam por uma reestruturação das carreiras prometida pelo governo. “Lamentamos o poder aquisitivo dos servidores públicos, mas tenho certeza que brevemente isso será recuperado. Em especial nossa Polícia Rodoviária Federal, que está nos acompanhando neste momento”, prometeu.
Ele ainda reconheceu a perda do poder aquisitivo da população de um modo geral, mas defendeu a atuação do governo na política para fertilizantes. “Garantimos fertilizante a vocês fazendo contato com o governo da Rússia.
Na semana passada, 26 navios aportaram aqui com fertilizantes, suficiente para a safra deste ano”, declarou o presidente.
Em pré-campanha, Bolsonaro também acenou ao senador Fernando Collor (PTB-AL), chamando-o de “grande aliado no Parlamento” – e repetiu a frase “o Nordeste é nosso”. O Nordeste é a região do País em que o presidente enfrenta mais dificuldades ante a vantagem do pré-candidato do PT ao Palácio do Planalto, Luiz Inácio Lula da Silva.
Bolsonaro encerrou seu discurso com o lema “Deus, Pátria, Família e Liberdade”. “Deus, Pátria e Família” era a frase-síntese da Ação Integralista Brasileira, movimento de inspiração fascista fundado no Brasil por Plínio Salgado, em 1932.






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