Com crise de hospedagem, apenas 47 países confirmaram presença na COP30 em Belém

A dois meses do início do evento, número de confirmações preocupa e pressiona governo brasileiro

A apenas dois meses da Conferência do Clima (COP30), que será realizada em Belém, o cenário ainda é de baixa adesão internacional. Segundo balanço apresentado pela Casa Civil e pela Secretaria Extraordinária para a COP30 (Secop), somente 47 países confirmaram presença até o momento. A informação foi divulgada após reunião com representantes de delegações estrangeiras.

O principal entrave continua sendo o alto custo das hospedagens na capital paraense. A ONU chegou a pedir que o Brasil subsidiasse parte das despesas de delegações de países em desenvolvimento. O governo brasileiro, entretanto, rejeitou a proposta, informa o g1.

Países confirmados e impasse financeiro

De acordo com a organização, 39 países já conseguiram hospedagem por meio da plataforma oficial do governo federal, em sua maioria nações em desenvolvimento. Outros oito — Egito, Espanha, Portugal, República Democrática do Congo, Singapura, Arábia Saudita, Japão e Noruega — fecharam diretamente com hotéis locais.

Ainda assim, o número é considerado baixo, e o governo anunciou uma força-tarefa para reverter o quadro. “A gente acredita que muitos países estavam esperando a reunião de hoje do bureau para ver o que traríamos como respostas. A ideia é termos um grupo de pessoas para ligar para os pontos focais dessas delegações para entender o que está acontecendo e como podemos ajudar”, disse o secretário extraordinário da COP30, Valter Correia.

Oferta de quartos é suficiente, problema é o valor

Segundo Correia, Belém dispõe de 33 mil quartos individuais, acima da demanda solicitada pela ONU (24 mil). O problema, explica ele, é o valor. “Seria o suficiente. O nosso problema é trazer isso a valores compatíveis com o poder aquisitivo”, destacou.

Subsídios em debate

Hoje, o orçamento destinado às delegações subsidiadas pela ONU é de US$ 140 (cerca de R$ 756), quantia que deve cobrir hospedagem e alimentação. Porém, na plataforma oficial da COP30, o preço mais baixo é de US$ 350 (aproximadamente R$ 1,9 mil).

Em carta ao Brasil, a ONU pediu que o país-sede bancasse parte das hospedagens para países pobres. A resposta foi negativa. “O governo brasileiro se posicionou dizendo que já está arcando com custos significativos para a realização da COP. Por isso, não há como arcar com subsídio para delegações de outros países”, afirmou a secretária executiva da Casa Civil, Miriam Belchior.

Belchior ressaltou ainda que a ONU poderia ampliar os subsídios, uma vez que, em outras cidades candidatas, como São Paulo ou Rio de Janeiro, o custo seria ainda maior, acima de US$ 200. “Nós falamos claramente que o país não tem condição, mas que a ONU poderia subir um pouco a contribuição. Em qualquer cidade do mundo eles pagariam, não estamos pedindo o que pagariam em Bonn, mas o que pagariam em São Paulo e no Rio de Janeiro”, explicou.

Preços sob investigação

Os valores elevados de hospedagem em Belém também geraram questionamentos sobre abuso de preços. A maior parte das acomodações disponíveis pertence a particulares e não à rede hoteleira tradicional.

Segundo Miriam Belchior, o governo pediu investigações sobre possíveis práticas abusivas, mas ressaltou os limites da intervenção estatal. “Somos uma democracia, temos limites de intervenção no setor privado. Estamos negociando no limite para que os preços possam baixar em Belém”, disse.

Enquanto os debates sobre custos continuam, a baixa adesão internacional acende um alerta. O desafio do Brasil é não apenas garantir a infraestrutura, mas também assegurar que a COP30 cumpra seu papel de reunir a comunidade global para enfrentar a crise climática.

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